O CASO DO RITUAL COM CRIANÇAS EM BRAGANÇA-PA
Vocês lembram daquele caso acontecido há menos de um mês na Vila
do Treme, zona rural de Bragança, cidade mais antiga do Pará, onde uma família
protagonizou ritual envolvendo crianças - inclusive bebê de colo - e todo mundo
foi parar na delegacia de polícia e as crianças em abrigo?
Passada a comoção popular, na sexta-feira (7) membros do
Ministério Público do Estado, da Polícia Civil e do Tribunal de Justiça do
Pará, além do Serviço de Acolhimento Municipal, da Procuradoria Municipal e da
Comissão Permanente em Defesa da Primeira Infância, Criança e Adolescente da
Assembleia Legislativa do Pará fizeram reunião presencial no Fórum de Bragança,
para tratar dos desdobramentos da situação.
Na hora da confusão vizinhos chegaram a afirmar que crianças foram
torturadas e seriam sacrificadas. Mas nada disso foi comprovado. Conforme foi
esclarecido, uma das crianças disse ter tido uma revelação divina, através da
aparição de uma santa, e disse que deveriam rezar para acabar com a Covid-19. A família - incluindo avós, pais e tios -
começou a rezar seguindo as instruções da menina e todos acabaram entrando em
transe, depois de muitas horas ininterruptas de reza em torno de uma cruz, em
jejum. Como não paravam para descansar e nem para comer, as crianças ficaram assustadas
e começaram a chorar alto. Um menino, com transtorno mental, não quis mais
participar do ritual religioso e teve os braços amarrados à frente do corpo,
mas o nó era frouxo e não deixou marcas ou ferimentos. Só que os vizinhos
ficaram apavorados e chamaram a polícia. Resultado: por pouco a vizinhança não
"fez justiça com as próprias mãos", a família está destruída e as
crianças fora do ambiente familiar.
O promotor de Justiça João Batista de Araújo Cavaleiro de Macêdo
Jr. solicitou o acompanhamento psicológico das crianças e também dos adultos
envolvidos no ritual. MPPA, TJPA, Alepa, Polícia Civil e Prefeitura de Bragança
debateram a respeito do fomento de políticas públicas e de parcerias com o
poder legislativo.
Também foi posta a necessidade de um curso de capacitação
periódico, oferecido pela Alepa para Conselheiros Tutelares do município, e
reuniões quinzenais para avaliar o cumprimento das medidas.
è
por Franssinete Florenzano


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