HERÓIS NA PANDEMIA, ENFERMEIROS NO AM ENFRENTAM PROBLEMAS SALARIAIS E SOBRECARGA DE TRABALHO
No dia 12 de maio é comemorado o Dia do Enfermeiro. A profissão
que cuida de vidas vem sendo cada vez mais requisitada, principalmente em
tempos de pandemia, onde esses profissionais são considerados verdadeiros heróis.
O G1 Amazonas aproveitou a data para conversar com três
profissionais da área, que relataram os maiores desafios no exercício de cuidar
das pessoas. Entre as principais dificuldades enfrentadas estão problemas
salariais, sobrecargas de trabalho e emocional.
Mesmo antes da pandemia, os profissionais relataram que esses
problemas já existiam, no entanto, foram intensificados com o atual cenário no
sistema de saúde pública. O ano de 2020 foi marcado por inúmeros protestos e
reivindicações da classe por melhorias de trabalho em todo o Amazonas.
Em janeiro deste ano, os profissionais tiveram de enfrentar a crise por falta de oxigênio em Manaus, momento que vai ficar marcado para sempre, segundo eles. O colapso foi causado por conta da segunda onda da Covid, que atingiu recordes de mortes e internações.
Em meio a todo esse caos, os enfermeiros seguem motivados pelo
amor em ajudar a salvar vidas, e devolver a esperança aos pacientes. Segundo os
heróis da profissão, tudo aquilo que é feito com amor, tende a dar bons frutos,
esse é o lema para continuar saindo de suas casas todos os dias para trabalhar.
Com 30 anos dedicados à profissão, a enfermeira Vera Moreira contou que já chegou a trabalhar por 72h seguidas em um plantão, e que o mais difícil é manter o equilíbrio entre ser o profissional e o humano.
“Você vive uma relação constante onde precisa lidar com a dor de alguém e ao mesmo tempo superar sua dor interna para vencer o momento. Já fiz 72 horas de plantão e faço novamente se for necessário. É uma força que não sei de onde vem, mas o energético acontece e a gente supera. Aliás, superar é a vida do enfermeiro. Superamos medos, traumas, angústias, aflições , choros e muita perseverança para continuar na missão do cuidar”, disse.
Além de tentar ser forte pelos pacientes, muitos profissionais precisaram mostrar força e ser o exemplo contra o novo coronavírus. Muitos não conseguiram vencer. De acordo com dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), atualizados na terça-feira (11), mais de 12,7 mil pessoas morreram com a doença.
Em abril deste ano, o presidente do Conselho de Enfermagem do Amazonas, enfermeiro Sandro André, informou que desde o início da pandemia, 87 profissionais da saúde morreram vítimas da Covid-19, no Amazonas.
A enfermeira Teresa Sena atua há 12 anos na área. Ela foi uma profissionais de saúde que tiveram a doença. Além disso, Teresa também perdeu um irmão para a Covid-19. A enfermeira contou que a pandemia foi um divisor de águas na rotina, e que nunca vivenciou algo parecido ao longo de todos esses anos de carreira.
"Oriento todos os dias a minha equipe que aquele paciente é o
amor de alguém, ele tem um pai, uma mãe ou filho que espera ele de volta para
casa casa. Hoje valorizo cada momento ao lado da minha família, falo todos os
dias o quanto eles são a coisa mas importante da minha vida", comentou.
Teresa aproveitou para lembrar que a classe de enfermeiros sempre
lutou por melhores condições de trabalho, mas essa melhoria não chegou, nem mesmo
com uma pandemia.
"A enfermagem é muito desvalorizada, baixo salário, falta de
respeito com profissional. Temos que trabalhar em dois ou três empregos para
poder ter um pouco de estabilidade financeira. Não precisamos de aplausos e
sim, ser respeitados e reconhecimento profissional, carga horária e salário
justo", destacou.
Em uma profissão onde o cuidado e o zelo pela vida do outro é
fundamental, outra dificuldade é conseguir se desligar das cargas emocionais. O
que acontece nos corredores no hospital, nem sempre fica apenas por lá. Ao G1,
os enfermeiros contaram que é muito comum voltar para casa pensando se o
paciente melhorou, ou se aquele problema de falta de insumos foi resolvido,
entre outros.
Apesar de ter apenas cinco anos atuando como enfermeiro, Clerveson
Lima conhece bem o sentimento 'pós-plantão'. Segundo ele, sempre fica aquela
vontade de querer fazer mais.
“A gente vai embora porque terminou o plantão e nosso corpo
precisa de descanso. Mas às vezes é difícil. Chegar em casa e desligar 100% do
hospital, deixar para lá, não é exatamente o que acontece. A gente volta para
casa, mas a todo momento lembra dos acontecimentos, do paciente e como vai ser
o plantão seguinte. A gente às vezes planeja fazer algo no próximo plantão, mas
quando chega de volta, o paciente faleceu”, lamentou.
Fonte/Fotos: Rebeca Beatriz, G1 AM/Sandro Pereira e Divulgação



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