ARTIGO DEDOMINGO | ‘QUE CIDADE É ESTA?’
- por Lúcio Flávio Pinto*
Está chegando ao fim a história dos belos casarões
construídos em vastos terrenos arborizados de Belém, verdadeiros enclaves
rurais em sítios urbanos. Duas dentre as muitas perdas: o casarão com bosque da
família Chermont, que se estendia por metade de um quarteirão inteiro pela
Wandenkolk entre João Balbi e Governador José Malcher; e o bosque do solar das
professoras Maria Anunciada e Paula Chaves, entre Rui Barbosa, Boaventura e Quintino.
Restou o casarão. Mantido sem ocupação, está exposto a algum ataque de
surpresa.
Mais recentemente, foi ao chão o conjunto
casarão-bosque da família Santiago, na 14 de Março, entre Governador José
Malcher e Magalhães Barata, de existência mais recente.
Não estava escrito nas estrelas que a destruição
desses monumentos era inevitável. Eles foram condenados pela desídia e
desapreço da cidade por suas fortunas históricas e arquitetônicas. A cidade
lusotropical perde sua personalidade, identidade e beleza. Vira qualquer coisa
aí.
*Lúcio Flávio Pinto - Jornalista profissional desde
1966. Percorreu as redações de algumas das principais publicações da imprensa
brasileira. Durante 18 anos foi repórter em O Estado de S. Paulo. Em 1988
deixou a grande imprensa. Dedicou-se ao Jornal Pessoal, newsletter quinzenal
que escreve sozinho desde 1987, baseada em Belém
No jornalismo, recebeu quatro prêmios Esso e dois
Fenaj, da Federação Nacional dos Jornalistas. Por seu trabalho em defesa da
verdade e contra as injustiças sociais, recebeu em Roma, em 1997, o prêmio
Colombe d’oro per La Pace e, em 2005, o prêmio anual do CPJ (Comittee for
Jornalists Protection), de Nova York.
Tem 21 livros individuais publicados, todos sobre a
Amazônia, os últimos dos quais Amazônia Decifradada e A Questão Amazônica.


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