SEU BOLSO | CARNE CONTINUA CARA; CONFIRA OS PREÇOS COBRADOS EM BELÉM-PA
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| Gerente de um açougue, Adriano Drago também tem sentido os impactos expressivos no valor da carne |
O DIÁRIO percorreu supermercados, açougue e feira da
capital paraense para verificar quanto está sendo cobrado por diferentes cortes
de carne bovina. Veja os preços!
Um dos itens até pouco tempo mais presentes na mesa
dos brasileiros neste momento passou a ser, para muitos, apenas lembrança.
Comer carne continua difícil.
O quilo da carne bovina de primeira, como coxão mole
(chã), cabeça de lombo e paulista, fechou o primeiro trimestre deste ano
(janeiro a março) com alta acumulada de quase 5% com a nova elevação verificada
no mês passado. O produto apresentou acréscimo de preço de 1,60% em março deste
ano em relação a fevereiro. Em janeiro a carne foi comercializada, em média, a
R$ 33,62; em fevereiro, a R$ 34,29; e em março, a R$ 34,84, segundo
levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese/PA). Nos três primeiros meses de 2020, o produto havia
sido comercializado em janeiro, em média, a R$ 26,46; em fevereiro, a R$ 25,35;
e em março, a R$ 25,08. A diferença entre os preços chega a ser de quase dez
reais quando comparados os primeiros trimestres de 2020 e 2021.
A elevação pesa no bolso do consumidor paraense e
impacta as vendas dos açougueiros em Belém, já que a trajetória do produto não
vem sendo uniforme. Nos últimos doze meses de 2020, o alimento registrou uma
elevação de quase 40%. Além disso, para se ter uma ideia, a carne era vendida
em dezembro de 2019 a R$ 28,22, e em dezembro do ano passado alcançou a média
de R$ 33,23.
Há doze anos trabalhando com carnes na feira da
Pedreira, o açougueiro Ângelo Batista, 42 anos, conta que o faturamento caiu
cerca de 30% este ano e que, em uma das épocas mais críticas da pandemia, no
ano passado, as vendas reduziram em quase 70%. “Sei que muitos clientes têm
optado atualmente pelo frango, mas é um alimento que também teve alta. Em
relação à carne, as pessoas têm comprado em menor quantidade. Quem comprava
cinco quilos, passou a comprar apenas dois. Mas neste último fim de semana já
senti que as vendas melhoraram”. Ainda segundo ele, nos últimos vinte dias o
preço cobrado pelos fornecedores variou entre R$ 0,20 centavos a R$ 1,00.
“Depende muito do fornecedor, por isso vai oscilando e precisamos reajustar
para o cliente”.
Quem também tem sentido os impactos expressivos no
valor da carne é o gerente de um açougue próximo à Feira da 25, no bairro do
Marco, Adriano Drago, 40 anos. Há mais de um ano, junto com a pandemia, ele
relata que sentiu os efeitos no faturamento. “É uma situação complicada para
todos os açougues. São muitas dificuldades, a receita cai e não se ouve falar
em estabilizar o preço da carne. Desde dezembro do ano passado observamos esse
aumento. Recentemente deu uma estabilizada, mas, de duas semanas até o momento,
já percebemos que aumentou de novo”.
O cenário na alta dos preços também fez com que o
gerente percebesse uma demanda menor pelo alimento. “Vendemos muita carne de
primeira e notei que os clientes continuam comprando o produto, porém, em menor
quantidade. Acredito que as vendas caíram em torno de 30%”, destacou. Além da
trajetória no preço da carne, Adriano contou que, em decorrência também da
pandemia, tiveram que desligar três funcionários do quadro do açougue. “Dos
doze, conseguimos manter apenas nove no estabelecimento”.
Consumidor
Morador do bairro da Pedreira, o oficial das Forças
Armadas Oscar Alcântara, 60 anos, sentiu no bolso o acréscimo significativo no
preço da carne bovina. “Parece que todo dia tem um aumento e o consumidor sofre
as consequências. É preciso ter jogo de cintura, pesquisar em feiras e em
supermercados o que sai mais em conta”. Com a alta do alimento, a família do
Oscar passou a mudar as opções de cardápio alguns dias da semana. “Nos finais
de semana geralmente priorizamos frango ou peixe, e durante a semana, carne,
mas geralmente fazemos picadinho ou algo do tipo”.
Fonte/Fotos: SUENIA CARDOSO DE SA MORAES, DOL/Ricardo Amanajás





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