PACIENTE MORRE COM COVID APÓS SER TRATADA COM NEBULIZAÇÃO DE HIDROXICLOROQUINA EM MANAUS-AM; PROCEDIMENTO CONTRARIA PADRÃO, DIZ SECRETARIA
Secretaria de Saúde informou que procedimento foi iniciativa livre
de médica, que atuou em maternidade por cinco dias. Sindicância foi aberta para
apurar casos.
Duas pacientes com Covid receberam tratamento de nebulização de
hidroxicloroquina em uma maternidade de Manaus, mesmo que o procedimento seja
totalmente contrário ao padrão adotado e sem eficácia comprovada.
A médica filmou o momento em que uma das pacientes é submetida ao
tratamento com hidroxicloroquina, para mostrar aos familiares. A paciente
morreu, e um parente denunciou o caso nas redes sociais.
Uma das pacientes morreu e outra teve alta. A Secretaria de Estado
de Saúde (SES-AM) informou ao G1, em nota, que determinou abertura de sindicância
e o afastamento da médica que realizou o tratamento. A informação foi divulgada
inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo.
De acordo com a SES, o procedimento foi feito de livre iniciativa
da médica. Ela atuou por cinco dias no Instituto da Mulher Dona Lindu (IMDL),
junto com o marido, que também é médico.
Eles foram integrados dia 3 de fevereiro, após contratação em
regime temporário pelo Governo do Amazonas, junto com outros 2,3 mil
profissionais de saúde, via banco de recursos humanos disponibilizados ao
Estado pelo Ministério da Saúde, para atuarem durante a pandemia em hospitais
da rede estadual.
Conforme a secretaria, a nebulização com hidroxicloroquina adotada
não faz parte dos protocolos terapêuticos da maternidade, "nem de outra
unidade da rede estadual de saúde, ainda que com o consentimento de pacientes
ou de seus familiares".
Porém, ainda segundo o órgão, as duas pacientes submetidas ao
tratamento assinaram termo de consentimento. Todas as informações sobre o
atendimento estão registradas em prontuário.
Eficácia não comprovada
Diversos estudos já haviam apontado que o tratamento com hidroxicloroquina
em pacientes com Covid não tem eficácia. Apesar disso, com frequência, o
presidente Jair Bolsonaro defendeu o uso do medicamento no tratamento precoce
contra a Covid, mesmo sem comprovação científica.
Em março deste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou
uma diretriz na qual pede fortemente que a hidroxicloroquina não seja usada
como tratamento preventivo da Covid-19. O documento foi divulgado na revista
científica "The BMJ".
A recomendação é feita por um painel de especialistas
internacionais do Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes da OMS (GDG).
Desde julho do ano passado, a organização informa que não tem
encontrado benefícios no uso do antimalárico contra o coronavírus. Desta vez, a
conclusão passa a ser uma orientação concreta e oficial para os países e
profissionais de saúde.
Investigação no RS
O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers)
abriu, no dia 6 deste mês, uma sindicância para apurar a conduta do médico que
aplicou nebulização de hidroxicolorquina em um paciente com Covid, em Alecrim,
na Região Noroeste.
O presidente do Cremers, Carlos Isaia Filho, afirmou que o órgão
recebeu a notícia com "apreensão". "O Conselho recebeu com muita
apreensão essa nova notícia de um óbito em Alecrim pós-tratamento", disse.
A RBS TV tentou conversar com o médico responsável pelo
atendimento do paciente, Paulo Gilberto Dorneles, que não quis se manifestar. O
Hospital de Caridade de Alecrim, onde o procedimento foi administrado, só vai
se posicionar oficialmente nas investigações.
A investigação do Cremers ocorrerá sob sigilo. Segundo o
presidente do conselho, o médico terá direito para apresentar sua defesa.
O Ministério Público (MP) também abriu um expediente para apurar o
caso. Ao G1, o órgão informou que os familiares do paciente enviaram
comunicação do ocorrido à Promotoria de Santo Cristo, que atende o município de
Alecrim. O promotor Manoel Figueiredo Antunes vai requisitar instauração de
inquérito policial pra averiguar a situação em âmbito criminal.
Fonte/Foto: G1 AM/Reprodução


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