BRASIL | EM MEIO À PANDEMIA, MUNICÍPIOS ADOTAM ESTRATÉGIAS DIFERENTES PARA VACINAR POPULAÇÃO CONTRA A GRIPE
Diversas cidades tiveram postos de saúde com pouco
movimento durante a primeira semana de imunização contra Influenza
Os primeiros dias da Campanha Nacional de Vacinação
contra a Gripe tiveram postos vazios em diversos municípios do país. Na última
segunda-feira (12), as Secretarias de Saúde locais começaram a imunização
contra a Influenza que, neste ano, apresenta um desafio adicional: a pandemia
da Covid-19.
Em meio à aplicação das vacinas contra o novo coronavírus,
as autoridades de Saúde tiveram que se preparar para proteger a população da
gripe também, de modo a evitar aglomerações e sobrecarga ainda maior do sistema
de saúde. Alessandro Chagas, assessor técnico do Conselho Nacional de
Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), garante que os municípios estão
preparados para promover as duas campanhas de vacinação.
“Os municípios estão muito acostumados a fazer
campanha. É importante porque temos que continuar protegendo vidas. Essa é a
função do Programa Nacional de Imunização (PNI) e essa é a função nobre do SUS
no país e que o município operacionaliza lá na ponta, nas suas 48 mil unidades
básicas de saúde”, salienta.
A maior novidade da campanha de imunização contra a
gripe este ano é a inversão do atendimento aos grupos prioritários. A primeira
fase, que vai até 10 de maio, serão vacinadas as crianças de seis meses a
menores de seis anos, gestantes, puérperas, povos indígenas e trabalhadores da
saúde. Tradicionalmente, essa fase tinha os idosos como público-alvo, mas a
orientação do Ministério da Saúde é que as pessoas com 60 anos ou mais recebam
primeiro a vacina contra a Covid-19.
“A própria organização da campanha já está evitando
que os grupos se cruzem, porque tem que existir um período. Você não pode tomar
os dois imunizantes ao mesmo tempo”, destaca Chagas.
De acordo com as autoridades de Saúde, uma pessoa
não deve receber as duas vacinas no mesmo dia. Assim, se tomou primeiro a dose
contra a Covid-19, deve-se esperar, no mínimo, 14 dias antes de receber a
vacina contra Influenza e vice-versa. No caso de a pessoa ter tomado o
imunizante contra a gripe após a primeira dose da vacina contra o novo
coronavírus, também precisa ser respeitado o prazo de 14 dias antes da segunda
dose.
Estratégias
Responsáveis pela aplicação da vacina, as
Secretarias de Saúde Municipais têm adotado estratégias diferentes para
administrar duas campanhas de imunização em massa. No caso de Florianópolis,
quem deseja receber o imunizante contra a gripe, só consegue se agendar horário
em um dos Centros de Saúde da Capital.
A marcação ocorre diretamente com as equipes de
saúde pelo WhatsApp. Por meio da página sus.floripa.br/contatoscs/, os
moradores da capital catarinense conseguem acessar os contatos telefônicos das
unidades de saúde mais próximas de casa e, assim, marcar o dia para reforçar a
proteção contra a gripe.
Com essas medidas, a pasta espera evitar
aglomerações nos postos de saúde e garantir a segurança da população. Em
Florianópolis, o público-alvo é de 170 mil pessoas. A meta é vacinar, ao menos,
90% desse total.
Já Belo Horizonte vai vacinar o público-alvo sem
agendamento. Basta comparecer a uma unidade de saúde dentro do horário de
rotina das salas de vacina. Segundo Fabiano Pimenta, subsecretário de Promoção
e Vigilância à Saúde, as unidades de saúde da capital mineira têm estrutura
para promover as duas campanhas de vacinação simultaneamente, de forma “segura
e eficaz”.
“Quando o grupo for ampliado, vamos adotar
estratégias diferenciadas, como, por exemplo, abertura de postos extras”,
acrescenta. Para o início da campanha contra a gripe, BH recebeu 86.800 doses.
No ano passado, mais de um milhão de pessoas recebeu a dose contra Influenza.
Eficácia da vacina da gripe
Durante as fases de testes para produção de vacinas
contra a Covid-19, uma das perguntas mais frequentes era: “Qual a eficácia da
vacina?”. Em relação ao imunizante contra a gripe não é diferente. O
infectologista Hemerson Luz detalha esse indicador importante. “A vacina da
gripe apresenta uma eficácia entre 60% e 70%. Certamente é um bom grau de
proteção e essas pessoas vacinadas não vão evoluir para formas graves da
doença”, explica.
De acordo com o Ministério da Saúde, a presença dos
anticorpos protetores no organismo ocorre entre 2ª a 3ª semanas após a
vacinação. Por isso, é possível que o indivíduo que tomou a vacina contra a
gripe possa ter quadro gripal após o imunizante, uma vez que a imunidade não é
adquirida automaticamente após a dose. É por isso, inclusive, que é comum as
pessoas atribuírem a gripe à própria vacina, o que não é possível, já que a
vacina é composta por vírus inativados. Ainda segundo as autoridades de Saúde,
a proteção conferida pela vacinação é de aproximadamente um ano. Por isso é
importante se vacinar com a mesma frequência.
Como diferenciar gripe de Covid-19
Tanto a gripe quanto a Covid-19 são doenças causadas
por vírus que atacam, principalmente, o sistema respiratório. Por isso, é fácil
confundir os sintomas e é difícil diferenciá-los. Algumas vezes os sintomas
podem, inclusive, ser causados por um resfriado. Sinais como tosse, febre e dor de cabeça
estão presentes em ambas as doenças. Por isso, a vacinação é tão importante,
explica Hemerson, pois além de evitar a sobrecarga do sistema de saúde, ajuda
os médicos a diagnosticar o quadro dos pacientes.
“Quando uma pessoa procura atendimento médico com
uma síndrome gripal, com sintomas respiratórios, o médico certamente vai
perguntar se ele foi vacinado contra a gripe ou se foi vacinado contra a Covid.
Assim vai ajudar o médico no diagnóstico e nas decisões terapêuticas futuras”,
diz.
Campanha
O Ministério da Saúde prevê a distribuição de 80
milhões de doses da vacina Influenza aos estados e municípios. Para adquirir as
doses junto ao Instituto Butantan, que produz o imunizante, a pasta desembolsou
cerca de R$ 1,2 bilhão. Segundo a pasta, a campanha conta com mais de 50 mil
postos de vacinação espalhados pelo país. O órgão deixou a cargo das
prefeituras a realização do “Dia D”, em que tradicionalmente há uma maior
mobilização para a aplicação das doses.
Fonte/Foto/Arte: Felipe Moura, BRASIL61



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