ESTOCANDO VENTO... E PLANTANDO ÁGUA
Quando a então presidente da República Dilma Roussef, em outubro
de 2015, numa coletiva de imprensa na ONU, falou em "estocar vento",
causou frisson internacional. Até hoje os memes proliferam na internet. Ela
queria dizer a dificuldade e o desafio que é encontrar meios de fazer a energia
eólica ser armazenada para uso não imediato, uma questão planetária,
diretamente relacionada à emissão de dióxido de carbono, tema que mobiliza a
comunidade científica ligada à questão energética. O senso comum sabe ser coisa
impossível – vento estocado é vento parado, portanto não é mais vento - mas a
startup Energy Vault usa tecnologia
capaz de "estocar vento e sol", ou seja, a energia gerada por eles
sem utilizar baterias químicas e sim tijolos enormes de 35 toneladas. Para
construir a primeira estrutura, de 122 m de altura, a empresa conseguiu 110
milhões de dólares do Vision Found do Soft Bank e quer incluir guindastes de 6
cabeças até 30 metros mais altos, aproveitando a força da gravidade. Cada
guindaste coloca tijolos enormes um em cima do outro, alimentado pelo excesso
de energia produzido de forma eólica ou solar. Quando utiliza mais energia do
que o produzido, realiza o processo inverso recuperando energia ao desempilhar
a torre. O conceito é parecido com o das hidrelétricas bombeadas, que usam uma
colina no lugar de uma torre e água no lugar dos blocos. O sistema pode
funcionar por até 40 anos, a despesa inicial é de 8 a 9 milhões de dólares e
para armazenar a energia seriam gastos 5 centavos de dólar por cada kWh, sem
degradações e quase nenhuma despesa operacional. A iniciativa é muito
interessante e já existe a energia antissolar, capaz de fornecer eletricidade
mesmo à noite.
Outro projeto que à primeira vista parece absurdo - plantar água -
foi implantado no Residencial Aldeia do Vale, em Goiânia(GO): um sistema com 11
bacias de contenção e caixas de infiltração para captar águas pluviais e fazer
com que retornem ao solo, alimentando o lençol freático.
É feita uma elevação de terra nos locais determinados, como se
fosse uma barragem. Há também algumas curvas de nível, parecidas com as bacias.
A diferença é que a curva de nível tem a função de diminuir a velocidade da
enxurrada, enquanto a bacia contém e infiltra a água no solo. No fundo das
bacias são colocadas caixas de infiltração, para facilitar a penetração da água
e não deixar que ela fique empoçada por muito tempo. São buracos de 1,5m x
1,5m, com várias camadas de pedras, das maiores para as menores, até chegar na
brita. Depois areia e vegetação, e com o tempo ela fica disfarçada no local.
è
por Franssinete Florenzano




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