RESUMO DO DIA – EDIÇÃO DA MANHÃ | SEGUNDA-FEIRA, 08 DE FEVEREIRO DE 2021
Procuradores da Lava Jato
repassaram ao Ministério Público da Suíça nomes de suspeitos de
envolvimento em casos de corrupção que, meses depois, fecharam acordos de
delação premiada, segundo mostra conversa de representantes do MPF (Ministério
Público Federal) em um aplicativo de mensagens. A lista incluía a cúpula da
Odebrecht.
Em chat do Telegram —apreendido em operação da PF que prendeu
hackers e cujo sigilo foi levantado na segunda (1º)—, eles sugerem sigilo sobre
a troca de informação, conta reportagem de Jamil Chade, colunista do UOL.
Antes de o acordo com a Odebrecht ser firmado no Brasil, o
procurador Deltan Dallagnol faz no grupo uma consulta sobre o repasse a
"americanos e suíços" de planilha com as penas dos delatores com a
"condição de manterem confidencial".
A cooperação internacional entre procuradores deve ocorrer por
meio de canais oficiais estabelecidos em acordos. Troca de informações de
inteligência fora desses canais pode levar à anulação de provas.
Batizado de "Acordo Ode", o chat abarca mensagens entre
procuradores do MPF e membros da PGR (Procuradoria-Geral da República) de março
de 2016 a setembro de 2017. O assunto principal são os termos do que viria a
ser o acordo de leniência da Odebrecht, firmado com o MPF em dezembro de 2016,
mas também se discutem as negociações da empreiteira com Estados Unidos e
Suíça.
Procurado, o MPF informou que não vai se manifestar. Tanto a Lava
Jato como os suíços negaram nos últimos meses a hipótese de que a cooperação
entre os dois países tenha ocorrido fora dos canais oficiais.
Em 2019, reportagem do UOL mostrou, com base em conversas
entregues por fonte anônima ao site The Intercept, que a Lava Jato usou
sistematicamente contatos informais com autoridades da Suíça e Mônaco para
obter provas. As informações foram obtidas por fora do canal oficial
estabelecido em acordos de cooperação internacional de investigação.
A troca de mensagens já levou a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a
tomar a decisão de questionar na Justiça suíça a cooperação estabelecida entre
os dois países.
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Fonte/Foto: Lúcia Valentim Rodrigues, do UOL


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