JUSTIÇA FEDERAL DÁ 48H PARA GOVERNO BOLSONARO SE MANIFESTAR SOBRE VACINAR 70% DA POPULAÇÃO DE MANAUS E OUTROS 7 MUNICÍPIOS
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| O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o governador do Amazonas, Wilson Lima, no hospital Nilton Lins (Foto: Divulgação/Ministério da Saúde) |
Defensorias do Amazonas e da União pediram que Justiça mande
Ministério da Saúde vacinar em massa população de Manaus e sete municípios do
interior do estado
A juíza Jaiza Fraxe, da 1ª Vara Federal Cível do Amazonas,
determinou que o governo Bolsonaro se manifeste, no prazo de 48 horas, sobre o
pedido de compra de novas doses de vacinas contra a Covid-19 para imunizar 70%
da população de Manaus e mais sete municípios do Estado, em 30 dias.
A determinação atende ação ajuizada pelas Defensorias Públicas do
Estado Amazonas (DPE-AM) e da União (DPU) e contempla, além da capital,
Manacapuru, Tefé, Iranduba, Itacoatiara, Parintins, Coari e Tabatinga, em razão
da grave situação epidemiológica desses municípios.
“Considerando os princípios constitucionais do contraditório e da
ampla defesa, os quais garantem o equilíbrio entre as partes, e a urgência do
caso, intime-se a parte ré, bem como o Ministério Público Federal, exatamente
nessa sequência, para que se manifestem previamente acerca do pedido de tutela
antecipada no prazo de 48h”, disse a juíza Jaiza Fraxe, em seu despacho .
Na petição, as Defensorias requerem que a União adquira e destine
as oito cidades doses suficientes para abarcar pelo menos 70% dos indivíduos
elegíveis, os maiores de 17 anos, nas condições normais, com duas doses.
Conforme a ação, caso medidas drásticas não sejam tomadas, “opiniões
respaldadas cientificamente prenunciam o surgimento de uma possível terceira
onda”.
A Ação Civil Pública (ACP) é assinada pelo defensor público do
Amazonas, Rafael Barbosa, e pelos defensores federais, Ronaldo Neto e João
Luchsinger. Os defensores justificam a necessidade de amplificar a vacinação,
entre outros pontos, em virtude do agravamento do colapso do sistema de saúde,
público e privado, causado pelo desabastecimento de oxigênio hospitalar, somado
à falta de leitos clínicos e de terapia intensiva, “o que tem abreviado, de
forma impiedosa, a vida de milhares de amazonenses semana após semana”.
Para o epidemiologista da Fiocruz/Amazônia, Jesem Orellana, a
estratégia de vacinação em massa para Manaus, que alcance 70% da população
elegível e no menor espaço de tempo possível, de preferência meses antes do fim
de 2021, é medida potencialmente efetiva em termos sanitários, já que contém,
ao menos, a circulação viral na cidade e nos municípios em constante contato
com a capital.
De acordo com o pesquisador, a medida, “de cunho sanitário e
humanitário”, reduz gastos, adoecimento e mortes evitáveis, além de reduzir
ainda a chance do aparecimento de novas e ameaçadoras mutações do Sars-Cov-2.
“Como também pode oferecer respostas sobre: o processo de
imunização e suas repercussões sobre novas variantes; o padrão de reposta imune
em pacientes previamente infectados ou não, considerando diferentes cenários de
imunização, seja com esquema completo/incompleto; e, também, em relação ao monitoramento
robusto de eventuais eventos adversos pós-vacinação”.
Fonte/Foto: Portal DeAmazônia


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