ARTIGO DEDOMINGO | MAIS QUE 7 PRAGAS

 è Por Lúcio Flávio Pinto*

 

O presidente Jair Bolsonaro interveio na Petrobras, mas diz que não vai intervir. Também não vai interferir na política de preços da empresa, mas já sentenciou: o combustível pode ficar 15% mais barato. É o que também achava Dilma Rousseff, ex-ministra de Minas a Energia (a cujo ministério a estatal do petróleo é subordinada) e ex-presidente da república, baseada sabe-se lá em qual matemática.

 

Porque praticava uma política de preços autônoma, Castello Branco foi destituído. Não se sabe ainda porque Lula e Silva foi indicado (Bolsonaro deverá anunciar na próxima semana as credenciais do seu preferido). Ele estava no mais disputado, mais bem remunerado (em dólar) e mais simbólico cargo da república, a direção da Itaipu binacional (com o Paraguai). Não deve ser por isso. Deve ser por ser general. Do mesmo nível de Pazuello? Ele recrutará agora coronéis, majores e capitães?

 

Com a estultice de Dilma, a Petrobras perdeu 40 bilhões de reais na bolsa. Com Bolsonaro, já evaporaram R$ 20 bilhões, só na circulação de papeis, inclusive pela maior bolsa de valores do mundo, de Nova York. E quanto perderá quando sua nota de credibilidade for parar no fundo do poço do seu rebaixamento internacional? E quanto perderá na transação comercial de compra e venda com preços artificialmente reduzidos para Bolsonaro não perder o apoio dos caminhoneiros na corrida por mais um mandato presidencial?

 

O Brasil merece tanto desastre, mediocridade, patifaria, burrice, vilania e má fé em moto contínuo?

 

 


*LÚCIO FLÁVIO PINTO é jornalista profissional desde 1966. Percorreu as redações de algumas das principais publicações da imprensa brasileira. Durante 18 anos foi repórter em O Estado de S. Paulo. Em 1988 deixou a grande imprensa. Dedicou-se ao Jornal Pessoal, newsletter quinzenal que escreve sozinho desde 1987, baseada em Belém

 

No jornalismo, recebeu quatro prêmios Esso e dois Fenaj, da Federação Nacional dos Jornalistas. Por seu trabalho em defesa da verdade e contra as injustiças sociais, recebeu em Roma, em 1997, o prêmio Colombe d’oro per La Pace e, em 2005, o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection), de Nova York.

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