RESUMO DO DIA – EDIÇÃO DA NOITE | QUINTA-FEIRA, 14 DE JANEIRO DE 2021

 


AMAZONAS VAI TRANSFERIR PACIENTES E DECRETAR TOQUE DE RECOLHER

 

À beira de um colapso no sistema de saúde e funerário, o Amazonas vai passar a transferir pacientes de covid-19 a outros estados, além de decretar toque de recolher das 19h até as 6h. Não foi anunciado pelo governador Wilson Lima (PSC) por quanto tempo vão durar as medidas.

"Nós estamos numa operação de guerra", disse o governador. "O estado do Amazonas, que é referência para o mundo, está clamando, está pedindo socorro. [Com] Uma floresta que produz uma quantidade significativa de oxigênio... Hoje o nosso povo está precisando desse oxigênio."

O aumento no número de hospitalizações e mortes por conta da covid-19 no Amazonas está ocorrendo sem que a taxa de transmissão do vírus esteja em alta, o que sugere que fatores como o colapso no sistema público ou mesmo uma mudança no vírus para tornar a infecção mais agressiva podem ser responsáveis pela tragédia vista nos últimos dias no estado.

A análise é do projeto de pesquisa Covid Analytics, encabeçado pela PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), e obtida pelo UOL. O estado registrava, até a terça-feira (12), 218.070 casos da doença e 5.810 mortes.

A média móvel de mortes no estado quase dobrou em janeiro (de 13 para 23, segundo dados do Ministério da Saúde). Na terça-feira, foram 166 sepultamentos registrados, recorde desde o início da pandemia. Antes da covid-19, essa média era de 30 por dia.

A nova variante do coronavírus encontrada na região e a falta de oxigênio são outras causas para a situação trágica em que o Amazonas se encontra.

"Há pessoas literalmente morrendo sufocadas em suas casas", disse o o pesquisador e epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz/Amazônia.

"São centenas de pacientes em fila para internação em leito clínico e de UTI [Unidade de Terapia Intensiva]. Na terça-feira recebi dois chamados desesperados de conhecidos pedindo alguma dica para internar parentes deles em Manaus. É o colapso."

O governo não tem detalhamento sobre os óbitos ocorridos dentro das casas.

 

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Fonte/Foto: Lúcia Valentim Rodrigues, do UOL

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