RESUMO DO DIA – EDIÇÃO DA MANHÃ | SEXTA-FEIRA, 15 DE JANEIRO DE 2021

 


APÓS VIRADA DO ANO, RIO DE JANEIRO TEM 99,8% DE UTIS OCUPADAS

 

O sinal vermelho já havia sido aceso no mês passado, quando pacientes morreram no Rio de Janeiro sem ter acesso a UTI. É o caso do paciente Cleber Fabrício, 67, que, mesmo com ação judicial, não conseguiu ser transferido para um leito de terapia intensiva e morreu de covid após 12 dias internado no CER (Centro de Emergência Regional) da Barra da Tijuca, na zona oeste.

Com 99,8% de ocupação de leitos de UTI na rede pública, segundo a Fiocruz, (Fundação Oswaldo Cruz), o estado do Rio de Janeiro lidera o ranking nacional de taxa de mortalidade de covid-19 e alcançou a maior média de mortes por dia (169) em decorrência do coronavírus desde 23 de junho —um dos meses mais críticos da pandemia. Como reflexo, hospitais da capital registram lotação de leitos de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). A reportagem, publicada hoje no UOL, é de Tatiana Campbell.

Ele ficou em estado gravíssimo na sala vermelha do CER. Entrei na Justiça para que ele pudesse ser transferido para uma UTI, mas não conseguimos. No hospital só falavam que não tinha vaga. Foi horrível, não pudemos nem nos despedir dele."
Sidineia Oliveira, cuidadora

O prefeito Eduardo Paes (DEM) anunciou nesta semana um plano com medidas a serem seguidas por regiões da capital conforme classificação em três níveis de risco (moderado, alto e muito alto). Entre elas, está o funcionamento com restrições de bares, restaurantes, academias, cinemas e teatros mesmo em situação de "risco muito alto".

O prefeito pediu respeito às restrições, chegou a defender que "você tem uma forma de funcionar boates em que as pessoas não precisem ficar dançando" e afirmou que "a prefeitura não vai conseguir ficar de babá fiscalizando todo o cidadão".

Para Alexandre Telles, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, "foi uma decisão equivocada desativar o Hospital de Campanha do Riocentro sem um planejamento adequado e sem ter previamente conveniado os leitos com o setor privado".

As emergências ficam lotadas e as pessoas começam a morrer em casa. É um efeito cascata. Esse é um risco que estamos vivendo agora. Existe uma necessidade imediata da criação de novos leitos de terapia intensiva e aí entramos em um outro problema, porque, mesmo que se abram novos leitos, você não vai ter pessoal suficiente."


Márcio Nehab, médico da Sociedade Brasileira de Infectologia e da Fiocruz

 

 

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Fonte/Foto: Clarice Cardos, do UOL Notícias

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