RESUMO DO DIA – EDIÇÃO DA NOITE | QUINTA-FEIRA, 08 DE OUTUBRO DE 2020
ACORDO DE VACINA MOSTRA RESTRIÇÕES IMPOSTAS AO BRASIL PELA
ASTRAZENECA
A AstraZeneca impôs condições sobre a venda da
futura vacina contra a covid-19 no acordo com o governo brasileiro. Segundo
o colunista do UOL Jamil Chade,
o contrato, que prevê pagamento de royalties, dá à empresa britânica o poder de
definir o que considera como a data do final da pandemia, a partir de julho de
2021.
O direito de estabelecer o fim do período da
pandemia reflete no preço. Segundo as multinacionais, um fornecimento de doses
a um preço de custo só poderia ocorrer enquanto a pandemia durar. Depois disso,
os valores terão de ser renegociados. Pelo acordo, fica ainda estabelecido que,
se a vacina não der resultados, não haverá um reembolso.
Essas informações estão no Memorando de Entendimento
entre a Fiocruz e a AstraZeneca, assinado em 31 de julho. O acordo, do qual o
colunista teve acesso, permitiu que o governo anunciasse um abastecimento de
100 milhões de doses da futura vacina, com um custo de US$ 300 milhões.
O documento prevê ainda que toda a propriedade
intelectual da vacina permanece nas mãos da AstraZeneca e que o acordo é
confidencial.
Enquanto isso, o governo brasileiro optou por não se
aliar a um projeto da Índia e África do Sul para pedir a suspensão de todas as
patentes de vacinas e tratamentos contra a covid-19, conforme revelado em outra coluna de Jamil
Chade. De acordo com os documentos submetidos pelos dois países, a
ideia é que, sem patentes, inovações podem ser produzidas em diversas partes do
mundo ao mesmo tempo, com custos mais baixos, e garantindo a distribuição às
populações mais pobres.
A entidade Médicos Sem Fronteiras (MSF) pediu para
que todos os governos apoiem a proposta dos indianos para garantir a isenção de
patentes. "Uma pandemia global não é o tempo para patentes ou lucros
corporativos enquanto o mundo estiver enfrentando a ameaça de covid-19",
disse a chefe de campanha da organização.
Atualmente, mais de 150 candidatas à vacina estão em
desenvolvimento ao redor do mundo. Mas, apesar dos sinais que alimentam o
otimismo, não há ainda garantias de que no
futuro próximo haverá uma vacina suficientemente boa para
erradicar o vírus.
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Fonte/Foto: Mariana Tramontina, do UOL


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