A ADESÃO DO PARÁ À INDEPENDÊNCIA É DATA MAGNA DO CALENDÁRIO CÍVICO PARAENSE
O feriado de 15 de Agosto, que marca a adesão do Pará à
independência do Brasil, foi criado para ser comemorado como a data magna do
calendário paraense. Segundo o projeto de Lei do então deputado estadual Zeno
Veloso, que instituiu o feriado, neste dia também seriam realizadas solenidades
cívicas e atividades educacionais que dessem ao cidadão paraense a consciência
da importância da data para o Estado.
Segundo o jurista Zeno Veloso, o feriado de 15 de agosto não
surgiu apenas com o objetivo de se criar mais uma data comemorativa, ele foi
proposto com base na Lei Federal nº 9.093, de setembro de 1995, que obrigou os
Estados a determinarem um dia para a comemoração da sua data magna. Atendendo a
determinação da Lei Federal, todos os Estados brasileiros criaram suas datas
comemorativas, extinguindo outros feriados estaduais.
Zeno Veloso explica que a escolha pelo dia 15 de agosto se deve à
importância que a adesão do Pará a Independência do Brasil teve na vida e no
futuro do Estado. A data já deu nome a uma das mais conhecidas avenidas de
Belém, a Presidente Vargas, o que segundo Zeno Veloso é uma prova da
importância desse dia para o calendário cívico paraense. “Propus como data
magna do Pará o dia da adesão a independência, o que ocorreu em 1823, por ser
um acontecimento decisivo, histórico, marcante e fundamental para a vida e para
a história do Estado do Pará, que definiu seus rumos políticos desde então”.
Ele explica, ainda, que com a aprovação do feriado no dia 15 de
agosto, foram extintos todos os demais feriados. Mas ressalta que o mesmo
projeto de lei dá um tratamento especial à data, incentivando iniciativas que atribuam à ela um
significado, com a realização de atividades físicas, eventos comemorativos e
ações educativas que relembrassem o fato histórico. “Muita gente nem sabe o
porquê do feriado, mas deve atentar para a importância dessa data. Espero que
um dia essa consciência exista no coração de todo cidadão paraense”, explicou.
História – A Adesão do Pará à Independência remoldou a história
política paraense, tendo sido marcada por consequências trágicas como o
massacre do “Brigue Palhaço” e uma série de revoltas que culminaram com a
Cabanagem, em 1835.
A data ainda está presente na bandeira brasileira, onde a estrela
solitária no círculo no azul acima da faixa branca com a inscrição positivista
“Ordem e progresso” faz uma referência direta ao movimento de 15 de agosto de
1823.
Para o historiador e professor da rede estadual de ensino Kleber
Leite, a consciência sobre o fato histórico faz com que o cidadão paraense crie
uma identidade cívica e tenha mais orgulho da história escrita pelos seus
antecessores.
Ele cita que os partidários da Independência já tinham como
bandeira a luta por justiça social tanto para o índio quanto o negro
escravizado. “É importante saber que desde o início da história paraense a luta
por justiça social sempre foi uma bandeira e isso deve nos estimular a lutar
por um Pará com mais igualdade para todos, sem
pre!”, declarou.
Para provocar esta consciência nas gerações atuais, Kleber Leite,
que também é professor do Instituto de Educação do Pará (IEP), onde leciona
para sete turmas, todos os anos, nesta mesma data, leva os alunos até o Palácio
da Cabanagem, sede do Poder Legislativo, para apreciar a obra da pintora
alenquerense Anita Panzuti, que retrata o momento da assinatura da adesão. A
partir dos personagens identificados na pintura ele dialoga com os alunos e
procura despertar a consciência da importância daquele momento histórico para o
Estado do Pará e para todos os paraenses. “Quero que os alunos saibam que todos
podem dar a sua contribuição para que o Pará seja uma terra melhor para todos”,
comentou.
Como se deu a Adesão do Pará à Independência
Um ano após a Independência do Brasil, o Pará se declarou
fielmente ao país. Nesta época, constituía a Província do Grão Pará e Maranhão,
devido à forte ligação portuguesa com a província. Kleber Leite ressalta que
após o retorno da corte portuguesa para Lisboa, o Grão Pará precisava decidir
entre a manter a aliança com o Brasil ou permanecer ligado à Portugal, já que a
elite paraense havia aderido à colônia lusitana, pela influência em diversas
áreas.
Para o processo de integração, Dom Pedro I enviou para cá tropas
militares após a adesão do Maranhão, já que o Pará era o único que ainda não
havia aderido. Para conseguir o apoio determinante, em 11 de agosto, o
almirante John Grenfell desembarcou aqui e trouxe aos governantes do Estado um
documento afirmando que havia uma esquadra em Salinas, pronta para bloquear o
acesso ao porto da capital, isolando a Província do Grão Pará do resto do
Brasil, caso não optasse pela adesão.
Os governantes da época renderam-se, então, proclamando a adesão
ao restante do Brasil. Após uma assembleia no Palácio Lauro Sodré, a assinatura
do documento que oficializava a adesão ocorreu no dia 15 de agosto. “Tudo não
passou de um blefe, pois foi dito que uma esquadra fortemente armada estava
posicionada nas proximidades de Belém, o que não era verdade”. A elite acabou
sendo obrigada, de forma política, a assinar o contrato de adesão à
Independência”, explica o professor.
Após isso, ocorreram diversas revoltas populares, sendo a mais
conhecida a tragédia do Brigue Palhaço, causadora de mortes e prisões na cidade
de Belém. O fato acabou trazendo à população paraense uma nova consciencia. O
sentimento de identidade do povo ainda produziu novas revoltas, que culminaram
com a revolta da Cabanagem, em 1835.
Por Márcio Flexa


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