BRASIL/MUNICÍPIOS | CÂMARA APROVA EXTENSÃO DA RECOMPOSIÇÃO DO FPM E FPE ATÉ NOVEMBRO
Complementação da maior fonte de receitas da maioria das
prefeituras depende agora de aprovação no Senado
A Câmara aprovou, nesta quarta-feira (22), a extensão da Medida
Provisória 938/2020, que direciona parcelas de compensação de perdas do Fundo
de Participação dos Municípios (FPM) e do Fundo de Participação dos Estados
(FPE), maior fonte de receita da maioria das prefeituras. A receita dos fundos
é composta por uma porcentagem do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) que é repassado aos entes, além de receitas
próprias como IPTU e ICMS. Com a pandemia, a arrecadação em estados e
municípios despencou e todos precisaram da complementação para a manutenção das
prefeituras.
A MP disponibilizou em março R$ 16 bilhões, em parcelas de R$ 4
bilhões, para garantir a complementação dos dois fundos a estados e municípios
que não conseguiram alcançar os mesmos valores registrados em março, abril,
maio e junho do ano anterior. Até o mês passado, foram utilizados cerca de R$
9,8 bilhões para o auxílio e a medida venceria no fim de junho. Como estados e
municípios ainda vão precisar desse aporte para equilibrar as contas até o fim
do ano, dado que a pandemia continua, a Câmara aprovou a extensão da complementação,
que vai se utilizar do saldo restante, ou seja, cerca de R$ 6,13 bilhões.
Agora, o auxílio se estende de julho a novembro de 2020, quando
cada ente vai ter a renda relativa ao fundo complementada caso, naquele mês,
ele não tenha alcançado, pelo menos, o mesmo patamar verificado no mesmo
período em 2019.
Eduardo Stranz, consultor da Confederação Nacional de Municípios
(CNM), estima que todo esse valor deve ser repassado aos estados e municípios
até novembro, mesmo porque os entes vão contar com as verbas calculadas para
2019, que em muitos casos não cobre os novos custos previstos para 2020.
“Tem que se compreender que estão assegurando a receita do ano
passado. Este ano já houve aumento nas despesas. Você teve um novo conjunto de
preços e os orçamentos dos municípios que estavam baseados em estimativas de
arrecadação para o ano de 2020”, alerta. “Essa medida que é extremamente
importante e vem como um apoio por parte do governo, ela repõe a receita do ano
passado, ou seja, mesmo com isso, haverá queda na arrecadação.”
O consultor lembra também que até mesmo as estimativas para 2020
mudaram com a situação da pandemia. “Foram muito mais gastos do que os que
estavam planejados. E ainda tem mais um complicador, pois este é o último ano
de mandato dos atuais prefeitos e há aí uma legislação eleitoral que dá conta
de uma série de critérios nos gastos que precisam ser atendidos.”
Queda na arrecadação
Recentemente a CNM realizou estudo para estimar os efeitos da
crise da Covid-19 sobre a arrecadação nos municípios. Segundo o levantamento, o
ICMS e o ISS indicam uma queda nos valores gastos pelos consumidores finais de
23% desde o início da quarentena. O impacto total nestes dois impostos, somada
a redução projetada para o IPVA e o IPTU, deve totalizar uma perda de
aproximadamente R$ 137 bilhões de maio a dezembro. A perda de arrecadação para
os municípios responderá a 46% deste valor, enquanto que para os estados será
de 54%.
De acordo com o estudo da CNM, a estimativa de arrecadação com
ICMS entre maio e dezembro de 2020 deve ser, pelo menos, R$ 88 bilhões menor
que no mesmo período do ano passado. Já de ISS, a queda deve ultrapassar os R$
20 bilhões.
José Coimbra Patriota, prefeito de Afogados da Ingazeira (PE),
lembra que o Fundo de Participação dos Municípios é a principal fonte de
receitas de vários municípios brasileiros, principalmente os de pequeno e médio
porte do Nordeste. Segundo ele, sem a totalidade desses recursos, serão várias
as prefeituras que não conseguirão assegurar as folhas de pagamento, bem como
os serviços básicos direcionados à população.
“Corre o risco de atrasar folha de pagamento, de não fechar o ano
fiscal, fornecedor sem receber, é realmente muito complicado e compromete
bastante. Municípios de até 50 mil habitantes dependem 90% do FPM”, ressalta o
prefeito.
Os fundos são apurados no dia 30 de cada mês e a diferença é
complementada até o 15º dia do mês subsequente, assim, a última das quatro
parcelas do auxílio foi paga agora, em meados de julho, referente ao mês de
junho. O texto aprovado na Câmara vai agora para apreciação no Senado. Se
aprovada e posteriormente sancionada pelo Presidente da República, a MP volta a
funcionar no meio de agosto, complementando o FPE e o PFM dos entes em relação
ao mês de julho.
Fonte: Brasil 61


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