PICO DA COVID-19 NO OESTE DO PARÁ SERÁ NA PRÓXIMA QUINZENA, INDICA ESTUDO DA UFOPA
O estudo foi feito pelo professor Hugo Alex Diniz, que além de
reitor da UFOPA é também matemático
O mais recente relatório do Painel Covid, desenvolvido pelo
Laboratório de Aplicações Matemáticas (Lapmat), da Ufopa (Universidade Federal
do Oeste do Pará), demonstrou que a região está próxima ao pico da pandemia por
covid-19, que deve ocorrer neste mês de junho.
O estudo foi feito pelo professor Hugo Alex Diniz, que é reitor da
Ufopa e também matemático, usando três modelos de análise para calcular as
projeções.
Os resultados convergem para a estimativa de que o auge da
pandemia no Pará ocorreu em fins de maio e início de junho e apresenta uma
tendência de queda. No oeste do estado, porém, estima-se que o pico poderá
ocorrer na próxima quinzena, no dia 17 ou 26 de junho.
“De acordo com a metodologia que nós utilizamos e com dados do
Ministério da Saúde, estamos nos aproximando do pico. Esse não é um dado exato,
é muito dinâmico, mas creio que há uma convergência dos diversos estudos de que
nós estamos atravessando esse momento de maior alta nos casos e óbitos diários
em âmbito nacional e, ao que tudo indica, isso está acontecendo agora também
nos interiores, fora das capitais”, explica o reitor.
Segundo a projeção, é provável o registro de mais de 9 mil testes
positivos para covid-19 e 400 óbitos pela doença até o final deste mês no oeste
paraense. Atualmente, são mais de 4.200 casos confirmados e de 230 óbitos.
Proliferação da doença
Em todo o estado, esses números podem ultrapassar a marca de 80
mil casos confirmados e 4.500 óbitos, cenário que coincide com o projetado
no último Boletim Covid-PA publicado
pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).
O estudo também demonstra que a proliferação da doença ocorre de
forma mais acelerada no interior do Pará.
Em números efetivos de reprodução atuais, o oeste paraense está
com uma taxa de aumento de casos de 2.03 e o Pará, em 1.25. Em relação aos
óbitos, na região a taxa de reprodução é de 1.37, enquanto que no estado em
geral é de 0.45.
O pesquisador chama atenção para a subnotificação de casos e
óbitos e é categórico ao afirmar que “o cenário do Pará e região oeste é de
preocupação.”
“Além da questão de que os dados estão defasados, há uma
subnotificação clara de casos. Nossa política de testagem é muito ruim e temos
uma subnotificação de óbitos”.
Com base nos resultados preliminares da pesquisa “Prevalência de
infecção por COVID-19 no Brasil (Epicovid-19)”, realizada pela Universidade
Federal do Pelotas (UFPEL), a subnotificação é uma realidade brasileira numa
proporção de sete casos reais de infectados não registrados para cada caso
confirmado pelas fontes oficiais. “Mesmo nesse cenário, ainda há uma boa parte
da população que ainda não foi contaminada”, alerta.
Além disso, a falta de transparência e a discrepância entre os
dados divulgados pelos governos federal, estadual e municipal têm dificultado a
realização do estudo e o cálculo de projeções mais precisas. Por este motivo, o
estudo é baseado exclusivamente nas informações do Ministério da Saúde, que
traz os dados em planilha e registros datados, o que não é feito nas esferas
estadual e municipal.
A interrupção do fornecimento de informações pelo Ministério da
Saúde e a mudança de metodologia pela Secretaria de Estado de Saúde Pública do
Pará (Sespa) também impactaram negativamente a análise.
O professor afirma: “Gostaria de lamentar essa diferença tão
brutal de política em nível federal, estadual e municipal e uma espécie de
briga por protagonismo. As informações deveriam estar sendo divulgadas de
maneira mais transparente possível. Isso se torna mais grave agora no nível
federal. Essa mudança no painel é algo muito grave, com consequências,
inclusive, internacionais, porque o Brasil se coloca para o mundo como um país
com informações não confiáveis sobre a pandemia, o que pode gerar ações de
outros países no sentido de dificultar a entrada de brasileiros em seus
países”.
“Isso dificulta muito qualquer tipo de estudo e dificulta a
decisão dos gestores, podendo levá-los a tomar decisões de abertura prematura
das atividades nesse momento da pandemia, que, como disse anteriormente, está
em seu pior momento na nossa região”, complementa Diniz.
Fonte: com informações da Ufopa


Nenhum comentário:
Postar um comentário