DEGRADAÇÃO DA FLORESTA E LESÃO À PÁTRIA
Anteontem, durante a Operação “Locking Down The
Hole” (alusão à pandemia do Covid-19 e também ao local da ação, conhecido como
“Buraco Fundo”), a Polícia Federal fez busca e apreensão de britadores,
caminhões e maquinários utilizados no desmatamento e atividades ilegais de
mineração nos municípios de Curionópolis e Itupiranga, na região sul do Pará.
Em toda a área havia mais de 50 caminhões diariamente, transportando algo em
torno de duas mil toneladas extraídas, num montante avaliado em R$ 1,4 milhão
por dia. Diante da inviabilidade de retirar os bens do local, foram
inutilizados 1 caminhoneta, seis caminhões caçamba, nove escavadeiras, sete
carregadeiras e cerca de dez peneiras de aço. Também foi feita uma prisão em
flagrante por porte de munição calibre 12. Participaram da ação conjunta
Exército, Ibama, Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Força Nacional e
Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em continuidade à Operação “Verde Brasil”
II, de 2019.
O juiz federal da 2ª Vara de Marabá, Heitor
Moura Gomes, que autorizou a operação, classificou de “algo até monstruoso,
pela magnitude do encontrado. Conforme indicado no relatório de inteligência da
Polícia Federal e do Exército Brasileiro, documentado circunstancialmente com
imagens e mapas, o desvio de bens da União, especificamente minérios de
Manganês, alcança a cifra milionária de R$ 1.400.000,00 por dia, nada menos do
que R$ 42 milhões por mês em bens desviados à revelia do país. Impossível não
fazer um comparativo, inclusive, com o que seria possível atender em material
de saúde, empregando tais cifras no combate ao Covid-19, mas que escorre pelo
ralo da atividade ilegal”.
O magistrado pontuou também que, “não bastasse
o prejuízo financeiro, há de se falar do dano ambiental irreparável, pois não
se pode desprezar o forte impacto da atividade mineradora, quanto mais quando
se trata de mineração ilegal, sem qualquer regulação dos órgãos ambientais,
servindo exclusivamente aos interesses financeiros do explorador.”
Com base em fotografias e imagens do Google
Earth o juiz acrescentou: “Há de se destacar dois pontos que denotam a dimensão
da degradação: o primeiro é o comparativo, da foto de satélite com a imagem
atual, na qual não há uma só árvore em pé; e o segundo, para se ter a proporção
da devassa no minério, é o tamanho da máquina carregadeira, que na foto aparece
minúscula (circulada em vermelho), mas se trata de um maquinário que alcança 10
metros de altura”.
Fonte/Foto: Franssinete Florenzano


Nenhum comentário:
Postar um comentário