COM 7 MORTES EM 2019, ÍNDIOS VIRAM ALVO DE FACÇÕES EM OCUPAÇÕES DE MANAUS



RESUMO DA NOTÍCIA:
- Sete indígenas foram mortos neste ano na capital do Amazonas.
- Três mortes aconteceram em um local conhecido como "Cemitério dos Índios".

O indígena Humberto Peixoto, 37, (foto), voltava para casa na tarde do último dia 2 quando foi surpreendido por homens que o espancaram, deixando-o com afundamento e perfuração do crânio, e fratura no fêmur. Um dia depois, ele teve morte encefálica diagnosticada, e seu coração parou de bater na manhã do dia 7.
Humberto era indígena do povo Tuiuca e foi o sétimo indígena —o quarto líder— morto na cidade de Manaus somente neste ano. Segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), as quatro lideranças mortas eram vítimas do mesmo perfil: "indígenas que viviam em bairros da periferia ou em ocupações da cidade de Manaus com forte presença do narcotráfico”.
Manaus é uma cidade marcada por ocupações irregulares que, nos últimos anos, passaram a sofrer com a chegada de facções que controlam o tráfico de drogas na periferia da cidade, com destaque para o crescimento de FDN (Família do Norte.
Segundo a Arquidiocese de Manaus, Humberto trabalhava na Cáritas Arquidiocesana e assessorava a Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro. Nunca houve qualquer relato de envolvimento dele com drogas ou crime.
"Na verdade, a gente ainda não tem muito entendimento do motivo dessas mortes, mas estamos pressionando o poder público pelas explicações", conta o coordenador da Copime (Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno), Turí Sateré.
Em Manaus, segundo a entidade, existem em torno de 20 mil indígenas vivendo em todos os bairros. O número exato está sendo feito em um levantamento que está em andamento.

Fonte/Foto: Carlos Madeiro, colaboração para o UOL/Arquidiocese de Manaus

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