FACADA NA MAGISTRATURA
É muito grave o clima de intolerância e ódio
que vem maculando com violência as ruas e as redes sociais do Brasil. O ataque
armado de um procurador da Fazenda Nacional a uma juíza do Tribunal Regional
Federal da 3.ª Região, ontem, não é fato isolado. Está acontecendo uma espécie
de surto coletivo, as pessoas estão adoecidas - inclusive as autoridades que
deveriam representar a sociedade com serenidade e os altos ideais de justiça e
paz - e tentam resolver suas angústias através das armas.
Os atos tiveram sequência cinematográfica e
por um triz não culminaram em um banho de sangue. O procurador Matheus Carneiro
Assunção (foto) entrou nas dependências da Corte para participar do “II
Congresso de Combate à Corrupção na Administração Pública” com uma faca de
cozinha escondida em suas roupas. Após deixar o evento em meio ao público,
despachou com a desembargadora federal Cecília Marcondes, já visivelmente
alterado emocionalmente. De lá foi ao gabinete do desembargador Fábio Prieto,
mas não o encontrou porque o magistrado presidia uma sessão de julgamento.
Ensandecido, desceu as escadas e invadiu a sala que fica imediatamente abaixo,
do desembargador Paulo Fontes, onde encontrou a juíza federal Louise
Filgueiras, convocada para atuar em substituição ao magistrado em suas férias,
e tentou esfaqueá-la.
Ela conseguiu se desviar, foi ferida de raspão
e se protegeu atrás de um móvel. Ele jogou uma jarra de vidro na direção da
juíza, e felizmente errou o alvo. O barulho da jarra quebrando chamou a atenção
dos assessores, que acudiram a juíza, imobilizaram o agressor e acionaram a
Secretaria de Segurança Institucional e a Polícia Federal. Agentes da PF
periciaram o local e o prenderam em flagrante.
A juíza Louise Filgueiras sofreu corte
superficial no pescoço, foi atendida pelos médicos do próprio Tribunal e passa
bem. Em nota, o TRF3 lamentou profundamente o ocorrido, e garantiu que tomará
as medidas necessárias para a minuciosa apuração. O advogado-geral da União
determinou imediata abertura de sindicância no âmbito da instituição. A Ajufe
divulgou nota oficial asseverando que a magistratura carece de um mínimo de
tranquilidade para trabalhar em paz e que o momento político, com a interdição
do diálogo e a polarização ideológica, contribui para o acirramento dos ânimos
e desrespeito crescente às instituições.
Fonte/Foto:
Franssinete Florenzano


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