CINEMA | CINEASTA PAULISTA MERGULHA NO UNIVERSO DO FEMINISMO INDÍGENA DO PARÁ
Produção será rodada na
região Norte fará um paralelo entre as guerreiras Icamiabas e o empoderamento
feminino
"Tu és uma
Icamiaba". A frase não poderia ter deixado a paulista Maha Sati, que
viajava pelo Tapajós, mais intrigada. O comentário ou constatação veio de
Neila, uma indígena que a atriz conheceu após ter a atenção voltada para uma
casa onde faziam-se pinturas da etnia Borari. O termo incomum, prontamente,
instigou a atriz que ouviu como resposta que teria que pesquisar o significado
- o que foi feito não muito após o encontro.
A história foi contada
pela cineasta Júlia Barreto, a quem Maha procurou tempos depois de descobrir
que a palavra Icamiabas possui vários significados e, entre eles, descreve
mulheres guerreiras de comunidades matriarcais que, séculos atrás, teriam
expulsado os espanhóis de uma região que hoje equivaleria ao sul do Pará.
"Depois dessa viagem, a Maha veio até mim com essa ideia de descobrir as
tribos matriarcais, entender esse feminismo indígena no Pará...",
relembra.
A ideia deu origem ao
projeto "Icamiabas - A força do feminismo ancestral". Em formato de
documentário, a iniciativa quer destrinchar o encontro com o feminino ancestral
a partir das vivências de mulheres da região Norte. "Queremos entender
esse feminino, redescobrir. Vamos nas aldeias, onde o feminismo não é rotulado,
é algo orgânico, natural. Estamos descobrindo outro universo, outra linguagem,
outra comunicação. Queremos ir além das teorias, dos rótulos, das convenções,
do pré-estabelecido", explica.
Entre as entrevistadas,
estão previstos nomes como da ativista Tainá Marajoara; da pesquisadora
Francielly Barbosa; Lourdes Barreto, coordenadora do Grupo de Mulheres
Prostitutas do Pará (Gempac); da jornalista Adelaide Oliveira; das cantoras
Leona Vingativa, Gina Lobrista e Keila, além de vivências na Ilha do Combu e
nas comunidades indígenas Borari e Tembé.
Para a diretora, a ideia é
mostrar um feminismo não conceitual e pré-estabelecido que foge da visão
eurocêntrica do conceito. "Queremos desconstruir essa barreira do
feminismo atual, aprender a ser feminina de novo. Não precisar impor as
barreiras, ser tudo natural... Queremos reaprender a ser mulher, mostrar a
nossa força, o nosso valor, levar auto estima para o nosso povo", pontua.
"Nessa fase de
pesquisa, percebemos já muitas diferenças. Começando pela arquitetura, pela
natureza totalmente diferente. Mas a mulher paraense tem uma articulação e
postura totalmente diferente do sudeste. Nós aqui somos protegidas. A mulher do
Norte é muito mais corajosa, muito mais impetuosa. Queremos aprender e
ouvir", acrescenta.
A equipe tem na concepção
Maha Sati. A direção e produção é de Julia Barreto; roteiro de Adriana Csaszar;
direção de Marcio Menezes e Luz Guerra. O projeto segue ainda em busca de
patrocínio e captação de recursos. "Agora estamos tentando patrocínio para
conseguir filmar, captação e apoio do governo e das secretarias. Estamos também
tentando conseguir aprovação na Ancine (Agência Nacional do Cinema), pela Lei
do Audiovisual", detalha Júlia. As gravações devem começar em janeiro de 2020.
Fonte/Foto: Ana Carolina Matos – O Liberal/Divulgação


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