CONFLITOS POR TERRA MATARAM MAIS DE 300 PESSOAS NA AMAZÔNIA, DIZ ONG
Relatório da Human Rights Watch, divulgado nesta terça-feira (17),
coloca o Brasil no topo da lista de países mais perigosos para ativistas que lutam
pelo direito à terra
Um
relatório da organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) divulgado
nesta terça-feira constatou que mais de 300 pessoas foram mortas na última
década em conflitos pelo uso de terras e recursos na Amazônia, muitas delas por
redes criminosas organizadas que lucram com o desmatamento ilegal.
Desses
casos, apenas 14 foram julgados em tribunal, informou a ONG no relatório com
base em 170 entrevistas.
"Isso
realmente mostra o nível de impunidade", afirmou Cesar Munoz, investigador
da Human Rights Watch à Agência Reuters, à margem de um evento em São Paulo, para
discutir o relatório. "Existe realmente uma falha de investigação e
responsabilidade".
O
gabinete do presidente Jair Bolsonaro não respondeu a um pedido de comentário.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, respondeu ao relatório, declarando
que o governo combateu a criminalidade, inclusive na esfera ambiental. Ele
apontou para a mobilização de tropas para combater incêndios ilegais e outros
crimes ambientais nas últimas semanas.
Cerca
de 60% da Floresta Amazônica, considerada uma barreira crucial contra as
mudanças climáticas, fica no Brasil. A destruição da floresta aumentou este
ano, e o maior número de incêndios desde 2010 atraiu a condenação mundial das
políticas do presidente Jair Bolsonaro, que defende a abertura da Amazônia ao
desenvolvimento.
Violência no Pará
A
HRW viajou para vários estados brasileiros entre 2017 e o primeiro semestre
deste ano para pesquisar o relatório, que mostrou que quase metade dos
assassinatos relacionados ao desmatamento ocorreu no estado do Pará.
A
cidade de Novo Progresso, no Pará, recentemente ganhou as manchetes por um
"dia de fogo", no qual os promotores suspeitam que um grupo
coordenado tenha iniciado uma série de incêndios para queimar florestas e
pastagens em 10 de agosto.
"Na
maioria dos assassinatos que examinamos, as vítimas receberam ameaças ou foram
atacadas antes. Se as autoridades levassem suas queixas a sério, essas pessoas
poderiam estar vivas hoje", comentou Daniel Wilkinson, diretor
administrativo para as Américas da HRW, a repórteres.
Bolsonaro
enfraqueceu o Ibama, órgão de fiscalização ambiental do Brasil, cortou seu
orçamento em 25% e restringiu a capacidade dos agentes de campo de incendiar o
equipamento daqueles encontrados cometendo crimes ambientais.
Marina
Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e candidata à Presidência da República nas
últimas duas eleições, disse que o relatório é uma evidência do retrocesso do
Brasil no meio ambiente.
"O
pouco que conseguimos no passado agora está sendo desmontado", lamentou.
Fonte/Foto: Reuters/Ibama - Secom


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