VOCÊ PRECISA SABER
PROPOSTA
EM DISCUSSÃO NA CÂMARA QUER ACABAR COM IMPOSTOS FEDERAIS NA VENDA DE PRODUTOS
QUE TENHAM MATERIAL RECICLÁVEL NA COMPOSIÇÃO
Segundo o deputado Luizão Goulart, autor do PL 3.776/2019, objetivo é
incentivar a coleta seletiva, além de promover justiça fiscal para quem usa
insumos, como plásticos e metais recicláveis
Como
forma de atender a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), um projeto de
lei (3.776/2019), em discussão na Câmara dos Deputados, quer acabar com a
cobrança do PIS/Pasep e da Cofins para empresas que vendem produtos que tenham
em sua composição, no mínimo, 80% de materiais recicláveis. A proposta é de
autoria do deputado Luizão Goulart (Republicanos-PR).
Segundo
o parlamentar, a objetivo é incentivar a coleta seletiva, além de promover
justiça fiscal para quem usa insumos reaproveitáveis, como plásticos e metais.
Se aprovado, o PL vai alterar a Lei 10.865, de 30 de abril de 2004, que instituiu
as regras de arrecadação dos impostos federais.
“Quem
resolver produzir algo a partir de material reciclável paga imposto, pelo
menos, duas vezes. Na primeira vez, paga imposto para produzir o produto
virgem. Depois, esse produto utilizado poderá ser reciclado. No entanto, quem
for usar como matéria-prima esse produto, vai pagar imposto novamente”, critica
Goulart.
Na
avaliação do consultor em Gestão Empresarial Dario Perez, o chamado “imposto em
cascata” tem dificultado a expansão econômica de diversos setores que poderiam
aproveitar materiais reutilizáveis em seus produtos. Por isso, o especialista
considera que a mudança na lei pode contribuir para o aumento da reciclagem em
todo o país.
“O
lixo tem um efeito econômico muito negativo. Então, se a gente começa a
incentivar as empresas a reciclar, trabalhar melhor esse lixo, obviamente, esse
gasto vai diminuir. Então, a gente tem um ganho, ainda que indireto, se a gente
puder fomentar essas empresas”, avalia.
O
PL 3.776/2019 prevê, que após a aprovação da Lei, o governo federal poderá
reduzir a exigência de composição mínima para isenção fiscal e, inclusive,
diferenciar o percentual de material reciclável obrigatório por produto ou
setor. O texto foi apensado a outros dois projetos de mesmo teor - o 6.887/2013
e 2.215/2011 - e aguarda para ser analisado no Plenário da Câmara.
Reciclagem
ainda é desafio
Os
dados mais recentes da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e
Resíduos Especiais (Abrelpe), publicados em 2017, revelam que nenhuma das 27
unidades da Federação faz o tratamento e o encaminhamento adequados dos
resíduos sólidos produzidos no país.
O
índice médio de destinação ambientalmente correta dos resíduos sólidos não
passa de 60%, enquanto a reciclagem dos materiais é de apenas 3%. A Política
Nacional de Resíduos Sólidos, contudo, previa que o índice de reaproveitamento
fosse de 25%, em 2015. As diretrizes ambientais também estabelecem o ano de
2020 como prazo para que o país tenha toda a estrutura necessária para dar uma
destinação adequada a qualquer resíduo sólido.
Os
números mostram, na visão do presidente da Abrelpe, Carlos Roberto Filho, que
as políticas públicas não são eficazes e que o Brasil está longe de bater a
meta estipulada na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Segundo Filho, a
iniciativa de zerar os tributos federais para quem produz e vende materiais
recicláveis é bem-vinda, principalmente porque o setor precisa de investimentos
que contribuam para garantir o crescimento econômico sustentável.
“É
importante para tornar esse setor, que é conhecido lá fora como setor da
economia verde - um setor ativo no nosso mercado - porque além de gerar
benefícios ambientais, traz diversos benefícios econômicos, com grande número
de geração de empregos”, acredita.
Em
São Paulo, uma startup já atua no segmento da economia verde. A empresa
desenvolveu uma tecnologia para aproximar quem necessita descartar resíduos
sólidos de quem promove a reciclagem.
O
administrador da Biothanks, Marcel Wars, conta que tudo é feito por meio de aplicativo.
“Como no Uber, você entra, faz seu cadastro, coloca o local onde você quer que
faça a retirada, diz a quantidade de material que você quer retirar”, explica.
A
tecnologia é capaz de promover a coleta e o descarte de materiais recicláveis
de todos os tipos e quantidades e, segundo Wars, garante renda para todos os
trabalhadores que integram a plataforma.
“Você
pode retirar entulho, móveis para descarte, pode utilizar para retirada de
recicláveis, de papelão, de plástico, entre outros. Então, o impacto é que a
gente tem a correta destinação para o material, além de gerar renda para os
coletores que estão cadastrados”, completa.
Fonte/Foto: Cristiano Carlos, da
Agência do Rádio/Câmara dos Deputados



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