SABORES DO AM | GASTRONOMIA DA AMAZÔNIA: BANZEIRO INAUGURA UNIDADE EM SÃO PAULO
Menu traz um toque cosmopolita e ingredientes
amazônicos exóticos como formigas saúva, cogumelos yanomami e vitória régia. A
banda de tambaqui é servida do mesmo jeitinho que no Banzeiro de Manaus
O Banzeiro, restaurante que há dez
anos encanta o paladar amazonense, abriu as portas de sua filial paulista
ontem. Localizado no Itaim Bibi, bairro de vida noturna agitada e repleto de
sedes corporativas, o Banzeiro São Paulo é a primeira incursão do chef Felipe
Schaedler fora de Manaus, onde mantém também o Moquém do Banzeiro. Os dois
restaurantes de Manaus, aliás, estão presentes no novo empreendimento.
Decoração, cardápio e até as louças lembram bastante os "irmãos mais
velhos".
Para atrair os clientes de São
Paulo, porém, Schaedler revela que precisou adaptar porções (que são menores
para os paulistas) e ousar com algumas misturas que no Banzeiro original ele
nunca arriscou colocar no cardápio, como o pirarucu com missô. Mas no menu com
toque cosmopolita e ingredientes amazônicos exóticos como formigas saúva,
cogumelos yanomami e vitória régia há espaço também para um clássico regional:
a banda de tambaqui é servida do mesmo jeitinho que no Banzeiro de Manaus.
"Meu foco com o novo
restaurante são os paulistas. Quero que eles conheçam e provem nossos sabores
mais diferentes. Mas pensei também em quem é do Amazonas e está com saudade de
casa. Quero que o amazonense entre aqui e se identifique", conta o chef
entre uma entrevista e outra no primeiro dia de funcionamento do espaço em São
Paulo.
Design inspirado no regionalismo
amazônico foi idealizado pela arquiteta manauara Claudia Nerling
Schaedler montou apartamento na
capital paulista, a poucos metros do restaurante, onde vai ficar direto este
semestre. Um dos desafios é fazer funcionar a logística de fornecedores, que
ele foi conhecendo e selecionando nesses 10 anos de estrada. Os peixes vêm
todos via aérea, por exemplo. Já tucupi e farinha, viajam por 21 dias por rios
e estradas. Depois que a engrenagem "entrar nos eixos", o que o chef
calcula que seja a partir de 2020, a ideia é se "dividir" entre os
três empreendimentos. E fazer entre eles um "intercâmbio de
melhorias" em termos de sistemas internos e atendimento. O que for dando
certo em uma unidade, será exportado para as outras. E por falar em exportar,
parte da equipe de 42 funcionários do novo Banzeiro foi trazida direto de
Manaus. Elson Alves Ribeiro, por exemplo, diz que levou um susto quando foi
convidado para mudar de cidade. Há três anos trabalhando com Schaedler, o
garçom de 22 anos nunca imaginou morar em São Paulo, mas aceitou prontamente o
convite. "Acho que o chef Felipe me chamou porque nunca faltei ao
trabalho. Agora vou aproveitar para fazer cursos e melhorar meus conhecimentos
na área de gastronomia", diz Elson.
Conexão gourmet
Diante da canoa que enfeita uma das
paredes do Banzeiro São Paulo (comprada por R$ 600 em Manacapuru e transportada
por R$ 6 mil até a capital paulista), o chef Felipe Schaedler revela o desejo
de construir, por meio de seu empreendimento, pontes entre o Norte e o Sudeste.
"Precisamos nos aproximar, estar mais perto. Meu sonho é que a distância
entre Norte e Sudeste seja apenas geográfica", diz ele, que planeja
transformar o espaço contiguo ao restaurante (que fica em uma espécie de vila)
em galeria rotativa para artistas amazônicos. A intenção é abrir o local sem
ônus para os artistas e ajudar com a decoração e divulgação. "Tem muita
gente boa e talentosa precisando dessa vitrine", resume ele, que prevê
iniciar esse projeto no próximo ano.
"Por uma feliz coincidência de
agendas, consegui conhecer o Banzeiro
São Paulo logo na sua abertura. Assim, pude matar logo minha vontade de um doce
que, apesar de nunca ter comido (porque é tão novo quanto o restaurante), eu já
sabia que ia amar. Sonhei com ele, inclusive, desde que vi uma foto postada
pelo chef Felipe Schaedler em suas redes sociais. Batizado de #descubramanaus,
o mousse de cupuaçu com recheio de chocolate é digno de aplausos (e repetição).
E lindo: é feito para parecer um mini cupuaçu, na forma e na textura. O doce
representa bem, em cada detalhe de sua execução e na escolha do nome, o que vem
a ser o restaurante caçulinha da família Banzeiro: um lugar com a alma
amazonense, de peito aberto para abraçar São Paulo com o que temos de
melhor".
Fonte/Foto: Aruana Brianezi – A Crítica Manaus


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