DAVI KOPENAWA: “ELES SÃO CONTRA NOSSA VIDA PORQUE PROTEGEMOS A TERRA QUE O AVÔ DELES QUERIA ROUBAR”



O líder Yanomami estima que entre 10 a 15 mil garimpeiros estejam dentro do território contaminando rios e lagos com mercúrio (Foto: Hélio Carlos Mello)
Na semana passada, o líder indígena Davi Kopenawa esteve em Brasília, junto a uma comitiva de lideranças da Terra Indígena Yanomami, para levar a mensagem de seu povo aos órgãos do governo federal. Com o Protocolo de Consulta Yanomami e Ye’kwana em mãos, os indígenas trazem as regras gerais que devem ser seguidas por qualquer empreendimento que pretenda se instalar em sua terra e afete as comunidades situadas no território, localizado entre os estados do Amazonas e de Roraima.
O documento, que Davi Kopenawa definiu como “uma mãe para seu povo” — porque é à figura materna que se recorre para saber o que é necessário à manutenção da vida —, detalha as diretrizes do direito à consulta livre, prévia e informada, assegurado pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), da qual o Brasil é signatário.
Junto com esse papel-mãe, os Yanomami e Ye’kwana também divulgam seu Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), construído coletivamente entre os indígenas ao longo de três anos. Ele representa o filho, a quem se explica tudo o que é importante à cultura yanomami: a forma de tomar decisões, o jeito de proteger a terra e de gerar renda, os conhecimentos tradicionais, a saúde e a educação. A existência de mãe e filho é o que garante que haja futuro para todos.
Nos documentos, os Yanomami e Ye’kwana contam sobre os imensuráveis custos humanos e ambientais que a invasão garimpeira historicamente causou na região entre 1987 e 1990. “Nosso território foi invadido por mais de 40.000 garimpeiros. Eles não nos consultaram previamente, fizeram as coisas sem nos perguntar”, diz um trecho do documento.
Mas, infelizmente, as ameaças e as graves violações de direitos que os povos da TI Yanomami sofreram não podem ser conjugadas no passado. E diante do contexto político atual, em que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pretende desfazer as restrições vigentes à exploração minerária em Terras Indígenas, o cenário tende a piorar.

*leia a entrevista completa em amazoniareal.com.br

Fonte: Victoria Franco, especial para a Amazônia Real

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