CONSELHO DAS ALDEIAS WAJÃPI SE MANIFESTA SOBRE ASSASSINATO DE CACIQUE E AMEAÇAS DE INVASORES
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| Delegação Wajãpi chega ao Acampamento Terra Livre, em Brasilia - abr. 2017 |
O Conselho das
Aldeias Wajãpi (Apina) publicou neste domingo (28/7) uma nota esclarecendo as
circunstâncias do assassinato do cacique Emyra Waiãpi na Terra Indígena Waiãpi.
Segundo o documento, o crime ocorreu na segunda-feira (22/7) e o corpo foi
encontrado por outros indígenas no dia seguinte. A Apina aponta ainda que a
Terra Indígena foi invadida por não indígenas, que tem ameaçado os Wajãpi. A
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) também
manifestou sobre o episódio. Leia aqui.
Leia a nota da
Apina na íntegra:
NOTA DO APINA SOBRE
A INVASÃO DA TERRA INDÍGENA WAJÃPI
Nós do Conselho das
Aldeias Wajãpi – Apina queremos divulgar as informações que temos até agora
sobre a invasão da Terra Indígena Wajãpi.
2ª feira, dia
22/07, no final da tarde, o chefe Emyra Wajãpi foi morto de forma violenta na
região da sua aldeia Waseity, próxima à aldeia Mariry. A morte não foi
testemunhada por nenhum Wajãpi e só foi percebida e divulgada para todas as
aldeias na manhã do dia seguinte (3ª feira, dia 23). Nos dias seguintes,
parentes examinaram o local e encontraram rastros e outros sinais de que a
morte foi causada por pessoas não-indígenas, de fora da Terra Indígena.
6ª feira, dia 26,
os Wajãpi da aldeia Yvytotõ, que fica na mesma região, encontraram um grupo de
não-índios armados nos arredores da aldeia e avisaram as demais aldeias pelo
rádio. À noite, os invasores entraram na aldeia e se instalaram em uma das
casas, ameaçando os moradores. No dia seguinte, os moradores do Yvytotõ fugiram
com medo para outra aldeia na mesma região (aldeia Mariry). No dia 26 à noite
nós informamos a Funai e o MPF sobre a invasão e pedimos para a PF ser
acionada. Na madrugada de sexta para sábado, moradores da aldeia Karapijuty
avistaram um invasor perto de sua aldeia.
No dia 27, sábado,
nós começamos a divulgar a notícia para nossos aliados, na tentativa de
apressar a vinda da Polícia Federal. Um grupo de guerreiros wajãpi de outras
regiões da Terra Indígena foi até a região do Mariry para dar apoio aos moradores
de lá enquanto a Polícia Federal não chegasse.
No dia 27 à tarde,
representantes da Funai chegaram à TIW e foram até a aldeia Jakare entrevistar
parentes do chefe morto, que se deslocaram até lá. Os representantes da Funai
voltaram para Macapá para acionar a Polícia Federal. Os guerreiros wajãpi
ficaram de guarda próximo ao local onde os invasores se encontram e nas aldeias
que ficam na rota de saída da Terra Indígena. Durante a noite, foram ouvidos
tiros na região da aldeia Jakare, junto à BR 210, onde não havia nenhum Wajãpi.
No dia 28 pela
manhã um grupo de policiais federais e do BOPE chegou à TIW e se dirigiu ao
local para prender os invasores. Isso é o que sabemos até agora. Quando
tivermos mais informações faremos outro documento para divulgação.
Posto Aramirã –
Terra Indígena Wajãpi, 28 de julho de 2019.
Fonte/Foto: ISA – Instituto Socioambiental/Luiza Calagian


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