QUE TEMPO BOM… (In memoriam Hugo Dias)
Eram meados de 90, a
canção Believe, da cantora Cher, explodia nas rádios e TVs do planeta. A pacata
Parintins acompanhava o hit da forma comportada e provinciana de uma cidade
tradicionalmente cristã.
A juventude que
frequentava a tradicional AABB se dourava nas manhãs e tardes do fim de semana,
para encontros fabulosos com a galera da Associação Comercial de Parintins.
O Clube que reunia as
tribos, atendia por nome de Show Clube Ilha Verde, e o transporte que conduzia
essa galera era a Dream da Honda, 100 cilindradas, ou uma bike guidon reto para
os menos abastados. Apesar da diferença do transporte, o amor existia, e não
havia nada mais romântico do que ver um amigo levando o outro em pedaladas
duplas, claro não sem antes o condutor mencionar: “empurra e pula”. A Parintins
fascinante tinha dessas coisas.
Vivi uma cidade de amor,
onde se marcavam encontros para chegar juntos ao Colégio, caminhando e ora
outra, furtando algumas goiabas dos Azêdos que caiam às pencas na Marechal
Castelo Branco. Época em que se dividiam lanches, se dava carona, se
compartilhava afeto. Época de amizades sem interesse, sem derrubação e sem
nuvens negras. Época em que com R$5,00, você comprava 3 caipirinhas e
sincronizadamente arriscava uma coreografia do momento e dançava a noite toda,
com a soquete branca marcada no salão escuro, onde o neon não refletia apenas
as meias, mas sorrisos largos e verdadeiros.
Acompanhei uma geração
interessante, não apenas no aspecto religioso, mas também cultural. A conversa
rendia até as 2h para os mais recatados, que se deliciavam com os hot dogs da
Avenida Amazonas rumando às suas residências. Os concursos Garotos e Garotas estudantis,
os Jogos Escolares, os concursos de danças, faziam uma Parintins florescer
culturalmente. Infelizmente o glamour se perdeu com o descaso, as
transformações no sistema cultural brasileiro tornou o jovem um ser patético
que o obrigou a “descer” na boquinha da garrafa literalmente, e usar termos
chulos como “balançar a raba”. O “chupa que é de uva” afetou profundamente o
país da Bossa Nova e MPB… Pra completar ou justificar, nasce o Enem… (por
favor, não polemizem…me poupem).
Os tempos mudaram, e iniciei
esse texto citando a Cher, para perguntar de todos vocês que assistiram à
partida prematura desse rapaz, quando na Canção ela pergunta:
“Do you believe in life
after love?”
Traduzindo: “Você acredita
em vida após o amor???”.
Eu sim, porque só o amor
transforma as pessoas.
Meus pêsames à família do
Hugo*.
Estou triste…
*Hugo Dias foi morto na
madrugada de 12 de maio em Parintins.
Fonte/Foto: Inaldo Albuquerque (Bacharel em Turismo e
Tecnólogo em Gestão Ambiental; também Chefe do Departamento Administrativo da
Secretaria de Meio Ambiente - Depto. de Educação Ambiental na empresa
Prefeitura Municipal de Parintins)/Arquivo AA


Nenhum comentário:
Postar um comentário