HOMOFOBIA | DE JANEIRO A ABRIL DESTE ANO, 13 PESSOAS FORAM ASSASSINADAS NO PARÁ
Nos últimos 4 anos, já houve 320 ocorrências por
crimes em razão de orientação sexual ou identidade de gênero
O movimento de Lésbicas,
Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e Intersexuais (LGBTI+)
comemorou recentemente a defesa e luta pelos seus direitos. No Brasil, o
movimento existe há 41 anos e, no Pará, há 18. Porém, ainda enfrenta o
preconceito e outras formas de violência na sociedade. Nos últimos 55 anos, os
números são alarmantes: 8.027 pessoas LGBTs foram assassinadas no Brasil entre
1963 e 2018, em razão de orientação sexual ou identidade de gênero. Os dados
são os mais atuais disponíveis na internet. Eles foram tabulados em 2017 pela
Diretoria de Promoção dos Direitos LGBT do Ministério dos Direitos Humanos,
publicados em fevereiro deste ano no site UOL.
No Pará, de janeiro a
abril de 2019, já foram 13 assassinatos e todos com cada vez mais requintes de
crueldade, de acordo com o Grupo Homossexual do Pará (GHP). Somente em 2018
ocorreram 18 assassinatos contra LGBTIs, também segundo o GHP. Em 2017, de
acordo com dados do Comitê Estadual de Enfrentamento LGBTI Fobia, ocorreram 19
crimes, dos quais seis envolveram assassinatos de travestis.
Por outro lado, de acordo
com dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará
(Segup), nos últimos quatro anos, entre 2016 e 2019, já houveram 320
ocorrências de crimes homofóbicos no Estado. Dos 320, foram registrados 117
casos em 2016. Em 2017, o índice foi de 97 casos. No ano de 2018, 86 casos foram
computados. E no ano de 2019, entre os meses de janeiro a maio, 20 ocorrências
foram registradas.
Em relação aos homicídios,
a Secretaria informa que, no ano de 2016, em todo o Estado, houve duas
tentativas de homicídios registradas e não houve caso de homicídio contra
LGBTI. Em 2017, foram registrados dois homicídios e nenhuma tentativa de
homicídio foi computada. No ano de 2018, nenhum homicídio foi registrado. Em
2019, de janeiro a fevereiro, foi computado um caso de homicídio de LGBTI. No
que concerne à elucidação dos crimes, a Segup diz que são investigados pela
Polícia Civil.
Um dos casos de homicídio
mais recente e com grandes requintes de maldade aconteceu dia 11 de fevereiro
deste ano, no município de Nova Ipixuna, sudeste paraense. A vítima foi identificada
por nome de Caíque Alves, conhecida como "Kayla Alves", de 22 anos, e
encontrada morto em uma residência.
"Tivemos também uma
travesti, em Santarém, que teve os braços decepados, mãos queimadas e os braços
colados no rosto; e um estudante, também em Santarém, que foi queimado vivo,
junto com a moto dele. No sudeste do país, uma travesti foi assassinada,
cortada e dentro dela colocaram a imagem de uma santa. As políticas também
estão sendo enfraquecidas ou extintas", critica Eduardo Benigno, coordenador
executivo do GHP, que afirma que existe subnotificação dos casos de homicídio.
O GHP organizou a Marcha Estadual contra a LGBTIfobia nesta quinta (15), como
preparação para o ato desta sexta (17), quando aconteceu o Dia Internacional de
Combate à LGBTIfobia.
A Segup afirma que, no
âmbito da Polícia Civil, existe a Diretoria de Atendimento a Vulneráveis (DAV),
responsável pelas Delegacias específicas para atender ao público considerado em
situação de vulnerabilidade social, como crianças, adolescentes, mulheres,
idosos e pessoas da comunidade LGBTI+. Vinculada à DAV está a Delegacia de
Combate a Crimes Discriminatórios e Homofóbicos (DCCDH), que atua
especificamente na investigação de crimes de cunho discriminatório contra
qualquer cidadão e, em especial, ao grupo LGBTI+, onde já existe uma atuação
parceira, na capital e região metropolitana, com a diretora da Unidade
Policial, delegada Hildenê Falqueto.
A Segup informa ainda que,
instituída em 2012, a DAV "vem buscando investir cada vez mais nos avanços
das Delegacias que atendem aos grupos vulneráveis, para que atuem sempre de
forma integrada com outros órgãos do Estado do Pará, que formam uma rede de
proteção das vítimas. Esse trabalho compartilhado tem gerado resultados
positivos na apuração de denúncias de casos de violência".
O crime de homofobia ainda
não está previsto na legislação penal brasileira. Nos casos envolvendo
agressões motivadas por preconceito contra a população LGBTI, a conduta é
tratada como lesão corporal, tentativa de homicídio ou ofensa moral. Mas duas
ações foram propostas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pedem que a homofobia
e a transfobia se tornem crime como é o racismo. Elas estão previstas para
voltarem à discussão no STF, no próximo dia 23.
DENÚNCIA
Para denunciar crimes
contra pessoas da comunidade LGBTI+, basta procurar a DCCDH, que fica na Rua
Avertano Rocha, 417, entre Travessas São Pedro e Padre Eutíquio, ao lado da
Seccional Urbana do Comércio, no bairro da Cidade Velha. Ou ligar para o
telefone 181, Disque Denúncia, para denunciar atos de violência.
Fonte:
Redação Integrada – O Liberal

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