SOLTANTO O VERBO/AMAZONAS: WILSON DIZ QUE ROMBO DEIXADO POR AMAZONINO É DE R$ 2,3 BILHÕES
O governador do Amazonas,
Wilson Lima, atribuiu ao descontrole e à falta de compromisso e
responsabilidade na gestão dos recursos públicos o déficit orçamentário de R$
1,5 bilhão e a dívida superior aos R$ 867 milhões, identificados pela equipe de
transição do Governo, nas contas do Estado. Somados, déficit e dívida superam
R$ 2,3 bilhões. O relatório foi apresentado nesta quarta-feira (02/01), em
entrevista coletiva na sede do Governo, bairro Compensa II, zona oeste.
O documento, que tem mais
de oitocentas páginas e está disponível para consulta no portal
www.amazonas.am.gov.br, aponta que o Governo do Amazonas inicia o ano de 2019
com menos R$ 1,5 bilhão no orçamento, valor abaixo dos custos com os contratos
vigentes para o ano. Por isso, adiantou o governador, os contratos serão
revistos no prazo de um mês.
“O que nós vamos fazer é
chamar essas empresas, esses fornecedores, para renegociar contratos. E aqueles
contratos, principalmente da área de saúde, que estão sendo pagos por
indenização, a gente vai entender como é que isso foi feito. É preciso ter a
comprovação de como esse trabalho foi feito, se não houver essa comprovação aí
vamos precisar mandar para os órgãos de controle”, disse ele.
O relatório apontou que
houve um aumento de dez por cento nos gastos com pagamento de pessoal, mas o
orçamento destinado a essa área não acompanhou. Ele foi estimado em R$ 5,8
bilhões para 2019 e é menor do que os R$ 6,4 bilhões usados em 2018.
Serão R$ 600 milhões a
menos no caixa para pagamento de pessoal, em um ano em que o Governo tem
reajustes escalonados previstos para servidores e concursos públicos em
andamento. Entre as áreas em que a situação também é preocupante está a da
saúde, com déficit de R$ 280 milhões para pagamento de cooperativas médicas,
gastos que têm impacto nas despesas com pessoal.
Diante da situação, o
governador anunciou que será feita uma auditoria na folha de pagamento. “Isso é
algo que já deveria ter sido feito há muito tempo. Mas vamos garantir que não
haverá comprometimento no pagamento de pessoal. Mas é preciso rever tudo. A
gente pega o Estado em uma situação muito difícil. O Governo gasta mais do que
arrecada. A gente tem um gasto muito grande. Só sobram 6% para investimento, o
que é pouco para um Estado desse tamanho,” afirmou o governador.
Além do orçamento menor, a
nova administração estadual herda o Governo com gastos com pessoal acima do
limite prudencial, em torno de 48,5%, percentual que só não ultrapassou o
limite máximo imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que é de 49%,
porque a gestão passada não pagou três meses de contrato com as cooperativas
médicas. Essa dívida fica para este ano, implicando ainda, assim que quitada,
no avanço do percentual de gastos com pessoal.
O governador destacou que
vai ser preciso equilibrar as finanças para garantir o desenvolvimento de ações
que melhorem a vida do cidadão amazonense.
“Eu peço a compreensão das pessoas, eu peço a compreensão dos amazonenses.
O momento que a gente está enfrentando é muito difícil. Muito complicado. Mas
aqui tem um servo de vocês, um parceiro, que está defendendo os interesses
desse Estado. A gente vai modernizar o Estado do Amazonas e conseguir
equilibrar essas contas para que todos tenham melhor qualidade de vida”,
reafirmou.
Dívidas
A equipe de transição
apurou que até o final de outubro, o Estado acumulava dívidas de R$ 857
milhões, volume que deve ter ultrapassado R$ 1 bilhão no encerramento do
exercício de 2018.
De acordo com o relatório,
o montante total da dívida pode ser ainda maior em função de débitos
judicializados, indenizações de comissionados que serão exonerados, dívidas
previdenciárias e trabalhistas e recomposição do saldo do Fundo Garantidor das
Parcerias Público-Privadas (PPPs).
A área da saúde é a que
acumula o maior volume da dívida, da ordem de R$ 569 milhões, com destaque para
R$ 180 milhões com cooperativas médicas
e para R$ 60 milhões com a PPP do Hospital da Zona Norte. O cenário é também
preocupante porque traz risco de interrupção na prestação de serviços e
fornecimento de insumos e medicamentos nas unidades de saúde no Estado.
O Governo do Amazonas
também encerrou o ano com dívidas de R$ 140 milhões em contas de energia
elétrica e de R$ 22 milhões à concessionária de água.
Caixa sem reservas
De acordo com o
levantamento da equipe de transição, não haverá sobras nos recursos do Tesouro
para quitar dívidas herdadas. O Estado deve encerrar com valor entre R$ 1,5
bilhão e R$ 2 bilhões de recursos vinculados em caixa.
São recursos com
destinação certa, a exemplo das verbas do Fundeb, do SUS, operações de crédito
interna e externa e depósitos judiciais, além de R$ 4 bilhões da previdência
estadual.
Falta de compromisso público
O governador Wilson Lima
destacou alguns exemplos da falta de compromisso com a gestão pública, que se
acumula de governos passados. Excesso de pessoal, descontrole em contratos e má
gestão administrativa estão entre os problemas identificados pela equipe de
transição. Somente na Casa Civil do Estado, destacou o governador, há 508
funcionários, e no Gabinete do Secretário da Susam outras 91 pessoas.
Na área da saúde, foram
identificados mais de 1.500 prestadores de serviços. Desse total, menos de 500
prestam serviços respaldados por contrato. Há, atualmente, mais de 234 empresas
recebendo por Termos de Ajustamento de Conduta e mais de 2/3 do orçamento de
2019 já comprometidos com empenhos e indenizações.
Em 2018, só com
indenizações, foram pagos R$ 313,9 milhões a 193 fornecedores da área da saúde.
Como reflexo do quadro atual, a Central de Medicamentos está com 45% dos
estoques de medicamentos necessários, com risco de desabastecimento nas
unidades. Há, ainda, risco de paralisação de serviços nas unidades de urgência
e emergência por falta de pagamento de cooperativas.
Na área de infraestrutura,
exemplificou Wilson Lima, há obras iniciadas há mais de cinco anos que pouco
evoluíram, a exemplo da implantação do Anel Viário Leste, cujo contrato é de
2013 e até o momento só 0,5% do contrato foi realizado. A urbanização do Igarapé
da Cachoeira Grande, no bairro São Jorge, zona sul, só tem 22% da obra
realizada, embora o contrato seja de 2011.
No Prosamim, o contrato da
fase III do programa foi assinado com o BID em 2012 e, até o momento o Governo
não investiu R$ 172 milhões referentes à contrapartida do Estado, o que
compromete a continuidade do contrato, cuja vigência termina em março de 2020.
Embora só tenha praticamente o ano de 2019 para investir a contrapartida, o
orçamento do Estado só consignou R$ 7,75 milhões para esse fim no próximo ano.
Em 2018, o Estado teve que
devolver R$ 150 milhões à Comunidade Andina de Fomento (CAF) por falta de
cumprimento do contrato para recuperação de igarapé e requalificação
urbanística dos igarapés da Sharp, Sesc, Bindá e São Sebastião, como parte do
Prosamim-CAF, cuja implantação iniciou em 2015.
Segurança e educação
Entre os exemplos da
deficiência na gestão está o gasto anual de R$ 88 milhões com alugueis de
viaturas para a área de segurança, com concentração de veículos na capital,
sendo 390 viaturas na frota do interior e 739, na capital. Há necessidade de
otimizar a distribuição de viaturas e seus respectivos contratos de manutenção.
Na educação, o orçamento
tem priorizado a atividade-meio, que é a área administrativa e não a
atividade-fim, que é o investimento em Ensino Fundamental, Ensino Médio,
Educação de Jovens e Adultos e Educação Especial.
A participação da área
administrativa subiu de 12,21%, em 2017, para 15,37% em 2018 e está em 18,98%
do total do orçamento da Seduc para 2019. Por outro lado, o investimento no
Ensino Médio diminuiu: de 21,73% do orçamento da Seduc em 2018 para 19,27 % em
2019. Só no Ensino Médio, há uma demanda não atendida de aproximadamente 37 mil
vagas. No Ensino Fundamental, o déficit é de 11 mil vagas.
Soluções a curto, médio e longo prazos
O trabalho da comissão de
transição foi muito além diagnóstico do quadro atual da administração estadual.
O relatório propõe medidas para os primeiros 100 dias de governo, ações
necessárias para melhorar o cenário das contas públicas e proposta de reforma administrativa,
que ainda será aprofundada pelo Governo.
Entre as medidas
necessárias para melhorar a situação atual das finanças estaduais, está o
incremento da receita; parcerias com demais poderes e órgãos de controle;
renegociação de contratos, redução de gastos com pessoal, diminuição da máquina
e políticas austeras de ajuste, controle e sustentabilidade fiscal.
Fonte/Foto:
Portal DeAmazônia


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