GOVERNO BOLSONARO: PRODUÇÃO AGRÍCOLA EM TERRAS INDÍGENAS DEVE SER LIBERADA
Depois de retirar a função
de demarcação e delimitação de terras indígenas da Fundação Nacional do Índio
(Funai), a equipe de governo do presidente Jair Bolsonaro prepara uma nova
regulamentação para liberar a exploração de terras indígenas pelo agronegócio.
O objetivo é autorizar parcerias entre os índios e os produtores rurais, para
cultivo e criação de gado em terras já demarcadas.
Hoje, esse tipo de
atividade é ilegal, apesar de haver, em várias regiões do país, arrendamento de
terras indígenas por produtores rurais para tocar todo tipo de produção.
O entendimento do governo
e da atual diretoria da Funai é de que esse tipo de atividade poderá ser
liberado por meio de um decreto presidencial, ou seja, diretamente por
Bolsonaro, sem ter de tramitar no Congresso.
A informação foi
confirmada ao Estado pela diretora de proteção territorial da Funai, Azelene
Inácio, que defende a abertura das terras indígenas para exploração comercial e
tratou do assunto com a equipe de transição do governo e a ministra da
Agricultura, Tereza Cristina.
A exploração de jazidas
minerais localizadas em terras indígenas é outra meta do governo, mas o
entendimento atual é de que esse tipo de atividade, diferentemente do
agronegócio, precisaria passar antes pelo crivo do parlamento. "No caso da
mineração, a regra é mesmo diferente. A Constituição afirma que a
regulamentação desse tipo de atividade deve sair do Congresso", afirmou
Azelene.
Reportagem publicada pelo
Estado no mês passado revelou que, atualmente, 22 terras indígenas do país
possuem áreas arrendadas ilegalmente para ruralistas. As negociações
clandestinas entre produtores e indígenas incluem desde o pagamento de
mensalidades para os índios até a divisão da produção colhida ou vendida.
Nessas 22 terras vivem mais de 48 mil índios. A área total arrendada chega a
3,1 milhões de hectares, um território equivalente a mais de cinco vezes o tamanho
do Distrito Federal.
Ontem (2), depois de tomar
posse, a ministra Tereza Cristina afirmou ser "natural" a
transferência para o Ministério da Agricultura da responsabilidade pela
demarcação de terras indígenas e quilombolas. "Os assuntos fundiários, todos
eles, seja Amazônia Legal, seja o que for, estão vindo para o Incra. O mosaico
de todas as terras brasileiras estará sob a orientação do Incra. A Funai toda,
uma parte ficará com Direitos Humanos, com a Damares, a parte de políticas
públicas para os indígenas. Aqui é simplesmente questão fundiária, que virá
para o Incra", explicou a nova ministra.
Fonte/Foto: André
Borges e Camila Turtelli | Estado/Divulgação


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