SUBIDA DAS ÁGUAS: AMAZONAS TEM 'ALERTA AMARELO' PARA CHEIA DOS RIOS EM 2019
Estado já atua de forma preventiva e, ontem, iniciou
um curso para preparar os gestores do interior do Amazonas para possíveis
grandes inundações. Sipam prevê anomalia.
O início da cheia dos rios
com níveis das águas considerados altos para o período somado ao aumento das
chuvas acendeu o alerta “amarelo” para a possibilidade de uma cheia de grandes
proporções em 2019. Embora ainda não seja possível afirmar que isso vá
acontecer, o Estado já atua de forma preventiva e, ontem, iniciou um curso para
preparar os gestores do interior do Amazonas para possíveis grandes inundações.
Apesar da expectativa de
uma grande cheia, o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) no
Amazonas, José Maria da Silva Maia, é cauteloso. Ele disse que é preciso
continuar monitorando tecnicamente antes de adiantar algum prognóstico e que
uma posição real sobre uma possível enchente anormal deve ser divulgada apenas
em março do próximo ano.
O órgão, disse ele, não
fará nenhuma antecipação antes que haja comprovação por meio do levantamento
técnico. “Estamos em campo fazendo levantamento técnico, nossas estações estão
em pleno vapor. O alerta amarelo acendeu, mas nem por isso podemos adiantar um
prognóstico. Trabalhamos com índices técnicos e científicos”, ressaltou o
superintendente.
Os dados do último Boletim
de Monitoramento da Superintendência Regional do órgão no Amazonas, divulgado
na sexta-feira passada, mostram que três das cinco principais bacias de rios
apresentam níveis de enchente altos. Purus, Negro e Madeira, a mais
preocupante. “Considerando a atual época do ano, as cotas atualmente observadas
são as mais altas de toda a série histórica, para o mês de dezembro”, diz o
documento.
O secretário da Defesa
Civil do Amazonas, Fernando Pires Júnior, disse que o volume de chuvas no
Estado é muito grande e ultrapassou o esperado para esse período, mas ainda
está dentro da normalidade. “Algumas calhas já estão aumentando o volume e isso
acende a luz amarela para a Defesa Civil do Estado. O volume é alto na calha do
Juruá, Purus e Madeira. Estamos com representantes nos municípios e já começam
a vislumbrar um fenômeno de enchente para 2019. Então, estamos atuando para
estar preparados em casos de desastres”, destacou.
Prevenção e resposta
Com esse propósito, a
Defesa Civil do Amazonas iniciou ontem o
“Curso teórico-prático em Ações de Prevenção e Resposta”. O cursos é
destinado para preparação avançada dos
coordenadores de Defesa Civil dos 62 municípios, visando uma possível enchente
de grandes proporções em 2019 e outros eventos naturais extremos.
“O objetivo é orientar e
munir nossos coordenadores de novas técnicas, que agilizem a resposta à
população, no caso de inundação e outros desastres que venham a ocorrer”,
explicou Fernando Pires Júnior.
Morador vê subida anormal
Morador da Praia da Ponta
Branca, no bairro de Educandos, há 44 anos, o autônomo Eduardo Assunção Martins
acredita que haverá uma grande enchente em 2019, segundo sua “experiência”.
“Normalmente, até o dia 17 de dezembro ainda tem muita praia aqui, mas você
mesmo pode ver que a água já está bem próxima do nosso campo de futebol. Eu
sempre morei aqui, eu sei do que estou falando, o rio era para estar mais lá em
baixo. Só chegou aqui em cima antes do dia 15 nas vezes de grande enchente”,
disse ele.
O morador disse ainda que
o tradicional Torneio de Futebol do Vinho corre o risco de ser adiado ou pode
até não ser realizado esse ano. O evento é realizado sempre no dia 24 de
dezembro. “Já são mais de 23 anos de tradição, mas estamos vendo que pode não
acontecer. O rio está acima da média e subindo rápido. Acho que vamos ter que
diminuir o campo ou se continuar subindo muito rápido pode ser preciso adiar
ainda mais”, disse.
Sipam prevê uma ‘anomalia’
Em relação às condições
meteorológicas na região no início do fim deste ano, segundo parecer do Sistema
de Proteção da Amazônia (Sipam), o mês de novembro de 2018 começou em condições
de normalidade, mas, ao longo do mês, a situação evoluiu gradativamente para a
condição de excesso de chuvas, sobre as regiões oeste, sul e sudoeste das
bacias da Amazônia Ocidental, onde ficam as regiões do Juruá, Purus, Madeira e
Alto Solimões. Para o ano 2019, as
previsões climáticas do Sistema de Proteção da Amazônia indicam anomalia e
ainda com a previsão de ocorrência do fenômeno El Niño no primeiro trimestre.
Fonte/Foto:
A Critica – Manaus/Euzivaldo Queiroz

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