EDUCAÇÃO: PROFESSORAS PARAENSES GANHAM RECONHECIMENTO NACIONAL
Professoras paraenses têm
se destacado nacionalmente com propostas inovadoras para educação, em todas as
suas fases. São iniciativas que contornam as dificuldades de falta de estímulo
e estrutura da rede pública, seja estadual ou municipal, e que mostram o
potencial criativo dos docentes na área pedagógica e que têm surtido efeitos positivos
nos alunos.
A partir do desafio de
pensar propostas pedagógicas que atenuassem a separação momentânea entre os
pais e os bebês de um ano e três meses até dois anos, que frequentam a turma de
Berçário II, a professora Adriane Gisele Sá Menezes reorganizou os espaços da
Unidade Municipal de Educação Infantil (Umei) de Santana, de Santarém, no oeste
do estado. O quarto de descanso, por exemplo, foi adaptado com a retirada dos
berços.
BERÇÁRIO
As ideias da professora e
outras ações acabaram se transformando no projeto “Bebês em movimento:
brincadeiras e descobertas no berçário”, que recebeu o prêmio regional Norte na
categoria creche na 11ª edição do Prêmio Professores do Brasil, do Ministério
da Educação (MEC). Adriane percebeu que a disposição dos elementos dos quatro
espaços do berçário - sala principal, sala de repouso, fraldário e quintal -
poderia ser melhor aproveitada.
“Foi um desafio quando
percebemos que não tínhamos planejamento para essas crianças e para atender
esses bebês. Nos preocupamos em pensar como desenvolver autonomia deles e
diminuir os transtornos entre bebês e famílias. Foi quando começamos a
implantar os cantinhos pedagógicos e temáticos, para chamar atenção da criança
e fazê-la evoluir em aspectos motores, sociais e emocionais”, explica Adriane.
No total, são 30 crianças
atendidas na unidade, incluindo posteriormente as de dois a três anos.
“Acredito que o espaço destinado às crianças pequenas é um dos aspectos mais
importantes no atendimento dessa faixa etária e, por isso, favorecemos o
estímulo de interações e a construção de conhecimentos”, explica a professora,
que usou materiais como garrafas pet, caixas de papelão e papel cortado para
fazer as atividades infantis.
Já a professora Mariana
Silva Barros, da escola municipal de ensino fundamental Mariana Leão Dias, de
Tucuruí, no sudeste do estado, também não cruzou os braços e diante de
dificuldades para ensinar educação física às crianças, resolveu usar materiais
alternativos no ensino de atletismo. A ideia surgiu quando a quadra da escola
entrou em reforma e ela se viu sem a sua “sala de aula”.
Pratos descartáveis, cabos
de vassoura, pneus e varas de bambu, por exemplo, serviram para ensinar
arremesso de disco, corrida com bastão, salto em altura, salto em distância.
Com isso, ela passou a fazer o projeto “Democratizar o ensino do atletismo na
escola: procedimentos alternativos para a sua aplicabilidade”, também premiado
pelo MEC, na temática especial “Esporte como estratégia de aprendizagem”, da
categoria Ensino Fundamental - Anos Iniciais: 4º e 5º anos.
“Chega um momento que a
gente se sente no compromisso de fazer alguma coisa, mesmo sem estrutura. As
crianças esperam por esse momento, anseiam pela aula de educação física. É um
trabalho humilde, mas com significado pedagógico”, disse Mariana. O apoiador
desta categoria foi o Instituto Península, criado exclusivamente para dedicar
ações de apoio aos professores brasileiros, de diversas maneiras. “Acreditamos
que o esporte ajuda no desenvolvimento dos alunos para o desenvolvimento de
habilidades dentro e fora da escola. A professora Mariana superou todas as
dificuldades e usou amor e criatividade para incluir todas as crianças as
práticas esportivas merecem nosso respeito e reconhecimento ”, disse Heloisa
Morel, diretora do instituto.
Discussão sobre violência no bairro da Terra Firme
apoiada em ações culturais
Com o dia a dia em contato
com adolescentes da periferia de Belém, a professora de Língua Portuguesa Lília
Melo, que é docente há 10 anos da escola estadual Brigadeiro Fontenelle, no
bairro da Terra Firme, em Belém, começou a perceber que a violência mexe
diretamente com o cotidiano da escola e da comunidade. “As ruas e as escolas
esvaziam e o ânimo cai quando há episódios de violência. Já fazia o projeto com
interação de outras linguagens artísticas, mas não estava voltado para as
demandas deles, com isso, eles não compareciam”, explica Lilia.
Foi por meio de saraus,
leitura de poesia, incentivo ao teatro e ao hip hop, e pela criação de um
cineclube, que a professora Lília Melo conseguiu mobilizar não só os alunos,
mas famílias inteiras para, por meio da arte e da produção cultural, discutir
temas sensíveis às comunidades - como a questão das chacinas. Ela recebeu o
prêmio do MEC pela realização do projeto “Terra Firme: Juventude Periférica -
do extermínio ao protagonismo”, que teve início em janeiro de 2015 para
dialogar sobre a realidade social.
Empolgada com a temática
negra nos cinemas, ela ficou conhecida por ter feito uma campanha para levar
mais de 400 alunos - em sua maioria negros - para assistir gratuitamente o
filme “Pantera Negra” no cinema, em março deste ano, em parceria com um
shopping.
Fonte/Foto:
Dominik Giusti, Diário do Pará


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