GOVERNO PUBLICA DECLARAÇÃO DE RECONHECIMENTO DE TERRITÓRIO QUILOMBOLA EM ORIXIMINÁ-PA
Iniciativa é a o primeiro passo para a titularidade definitiva da
terra e abre precedente para outras comunidades
Os
quilombolas de Oriximiná, no noroeste do Pará, podem comemorar uma conquista
importante. Os Territórios Quilombolas Alto Trombetas 1 e 2 foram reconhecidos
e declarados por meio das portarias 1.171 e 1.172 do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra), devidamente publicadas no Diário Oficial
da União. São 161.719,4276 e 189.657,8147 hectares, respectivamente, que agora
define as áreas para as comunidades quilombolas ali existentes.
Para
o Incra, os quilombolas desses territórios foram pioneiros no país a lutar pelo
reconhecimento e permanência nas terras onde viviam seus ancestrais. Eles deram
início oficialmente a seus processos de titulação junto ao Incra em 2004 e
reforçada com uma sentença da Justiça Federal que acatou um pedido do
Ministério Público Federal em 2015, fruto de longas negociações entre entidades
de defesa dos quilombolas e órgãos do governo federal, como o Instituto Chico
Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra unidades de
conservação sobrepostas às áreas reivindicadas.
Segundo
Rogério Rodrigues, Consultor da Equioe de Conservaçã da Amazôa (ECAM), que
apoia e trabalha pelo empoderamento dos movimentos quilombolas da região, ainda
não é a titulação, mas é um passo importante para que isso ocorra. “A
publicação das portarias é mais uma etapa de um processo de reivindicações pela
manutenção de suas culturas e de seus territórios. E a ação veio justamente
quando se comemora três décadas de Raízes Negras, um movimento negro, rural,
social, da região do baixo Amazonas que influenciou inclusive a Constituição de
1988 com art. 68 que garante a terra aos quilombolas”, explica.
Agora,
o próximo passo será uma reunião entre as diretorias dos dois territórios, o ICMBio,
o INCRA e a Palmares para pactuar o plano de trabalho a ser executado pelas
partes até uma solução definitiva. E instituição de comitê de acompanhamento
das ações do plano de trabalho.
Territórios Quilombolas Alto Trombetas 1 e 2
Os
territórios quilombolas Alto Trombetas 1 e 2 são formados por descendentes dos escravos que, no século 19,
fugiram dos senhores de Óbidos,
Santarém, Alenquer e mesmo de Belém. Por meio da resistência guerreira e do
aprendizado de formas eficazes de exploração da floresta, os negros construíram
uma nova vida nos quilombos. O Alto Trombetas 1 é composto por cinco
comunidades quilombolas: Abuí, Paraná do Abuí, Sagrado Coração, Tapagem e Mãe
Cué. Já o Alto Trombetas 2 é composto por sete comunidades quilombolas: Moura, Jamari,
Curuçá, Juquirizinho, Juquiri Grande, Palhal, Nova Esperança e Último Quilombo
Erepecu.
Cronologia:
-
1988: Encontro Raízes Negras. Movimento negro da região do baixo Amazonas que
influenciou inclusive a Constituição de 1988 com art. 68 que garante a terra
aos quilombolas.
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1989: primeira reivindicação dos quilombolas de Oriximiná/PA ao poder público federal
pela titulação de suas terras tradicionais. E criação da FLONA Saracá-Taquera
sobre os territórios tradicionais quilombolas.
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2003: Titulação de parte do território de Alto Trombetas 1.
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2004: Abertura dos processos de titulação junto ao INCRA.
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2007: Início das negociações Câmara de Conciliação.
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2013: MPF ingressa com Ação Civil Pública para cobrar a titulação.
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2015: Encerrada, sem sucessos, a negociação.
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2016: Determinação da Justiça Federal do prazo de dois anos para a titulação dos
territórios. Retomada do diálogo.
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2017: Publicação dos Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação dos
territórios. Início de processo de consulta aos territórios.
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2018: Continuidade do processo de consulta aos territórios. Publicação das portarias
de reconhecimento dos territórios.
Fonte/Foto: Mônica
Marques, Assessora de Imprensa - Prezz Comunicação/Rogério Rodrigues

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