PRÊMIO MOTOSSERRA DE OURO: FUNDO DA AMAZÔNIA COMPLETA UMA DÉCADA, MAS DESMATAMENTO AUMENTA NO BRASIL

Os pontos brancos são cabeças de gado dentro de área desmatada na Floresta Nacional de Jamanxim. Foto: Bernardo Camara

Apesar do aporte de R$ 3,1 bilhões realizado nesses 10 anos, sendo a maior parte desembolsada pela Noruega, desmatamento voltou a crescer na região e compromete o cumprimento de metas internacionais, de acordo com levantamento de especialistas
O Brasil concorria à “motosserra de ouro”, prêmio irônico dado pelo Greenpeace ao país que mais desmatou, em junho de 2008, enquanto o governo federal tentava fazer vingar uma proposta inovadora de financiamento para a preservação ambiental. O Fundo de Proteção para a Amazônia foi então criado para captar investimentos destinados às ações de conservação do bioma. As verbas são geridas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e aplicadas para iniciativas como monitoramento, gestão de florestas públicas e recuperação de áreas desmatadas. Uma década depois, o país assiste ao aumento do desmatamento e arrisca até não atingir metas internacionais.
Paulo Barreto, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), é categórico: o desmatamento está acima do que era esperado e as áreas desmatadas estão relativamente elevadas. “A meta era chegar 2020 a 3,8 quilômetros quadrados. No último ano, foram quase 7 mil Km2. E, em 2012, foram 4,8 mil Km2. Os números mostram que avançamos, mas depois regredimos”, critica. Ele destaca que a situação atual é de instabilidade. “Temos o vai e vem de políticas públicas, com dependência de quem será eleito e das intenções do Congresso, que continuará tendo uma alta presença de ruralistas”, explica.
Para Luiz Mourão, integrante do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o Fundo de Proteção é parte do caminho que o Brasil deve percorrer para preservar as matas. “A sensação que tenho é de que o governo, efetivamente, não tem tido impulso para essa área. Há soluços momentâneos. Tivemos vários ministros, várias políticas, mas só isso não basta. Só o Fundo não vai proteger a floresta. É preciso mais fiscalização, gestão, políticas públicas. O que temos hoje não é suficiente. É preciso também vontade política, que não existe”, critica.

Leia o texto na íntegra em http://amazonia.org.br/2018/07/fundo-da-amazonia-completa-uma-decada-e-desmatamento-aumenta/

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.