CAOS NA SEGURANÇA DO PARÁ: PMS PODEM CRUZAR OS BRAÇOS EM PROTESTO CONTRA MORTES DE POLICIAIS
O
clima de tensão que ronda a segurança pública no Pará pode tomar rumos ainda
piores nesta quarta-feira (11), após mensagens, supostamente feitas por entidades
ligadas à policiais militares, convocarem o aquartelamento dos agentes, quando
os policiais não saem às ruas. As associações negam a autoria das mensagens,
mas afirmam que as tropas já discutem a possibilidade.
Por
aplicativos como o WhatsApp, uma mensagem supostamente assinada pela Associação
de Cabos e Soldados PM's e BM's do Pará (ACSPA) convoca os policiais e
bombeiros militares do Estado a não saírem dos quarteis durante a manhã desta
quarta-feira (11), enquanto ocorre uma reunião entre categoria e governo do
Estado para discutir o reajuste salarial dos policiais. A associação nega a
autoria da mensagem, mas afirma que o clima de descontentamento entre os
agentes pode ter motivado o recado.
"Essa
mensagem não é oficial, não foi emitida por nós. Mas há, de fato, uma
insatisfação muito grande nos quartéis, e corre os rumores de que as tropas
discutem fazer o aquartelamento", afirmou sargento Xavier, presidente da
ACSPA. "Provavelmente grupos colocaram o nome da associação na nota para
tentar dar mais força à convocação, colocar na nossa costa. Mas não fomos nós.
Entretanto, se os policiais resolverem aquartelar de fato, a associação irá dar
o apoio necessário".
Entre
policiais militares, o rumor é que policiais de diversos quartéis discutem a
possibilidade de aquartelamento após o resultado da reunião que ocorre nesta
quarta para discutir o reajuste salarial da categoria. Os agentes afirmam que a
proposta oferecida pelo governo é insatisfatória.
"O
que chegou a nós é que a proposta do governo é reajuste salarial de 3%. Isso é
muito pouco, ainda mais para uma categoria que não tem reajuste há quatro anos.
Além disso, ofereceram um acréscimo de R$ 200 no vale-alimentação, mas isso é
uma enganação, pois não afeta os inativos, quem tira licença especial, os
agentes na reserva. Em suma, a proposta é insignificante", completa o
sargento Xavier.
Além
da questão salarial, policiais reclamam da onda de violência que atinge os
agentes de segurança. Apenas neste ano, o Estado já somou 19 policiais
assassinados. Além disso, uma onda de crimes atinge a população em geral.
Apenas na segunda-feira (9), 13 homicídios foram registrados na Grande Belém.
Já na terça-feira (10), uma tentativa de resgate no Complexo Penitenciário de
Santa Isabel resultou na morte de 21 pessoas.
Os
policiais deverão realizar uma assembleia nesta quarta-feira, às 18h, para
discutir o resultado da negociação.
Fonte/Foto: Gustavo Dutra – DOL/Ney
Marcondes


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