SETEMBRO AMARELO: CAMPANHA ALERTA PARA AS CAUSAS E COMBATE DO SUICÍDIO, QUE É UM INIMIGO SILENCIOSO
| Campanha contra o Suicídio em Manaus começou com panfletagem no Largo São Sebastião |
Manaus vive um mês destinado a ações de conscientização que
pretendem evitar um mal silencioso que mata, em média, duas pessoas por semana
- quase 100 em um ano: o suicídio
Um
cruel inimigo silencioso, o tema suicídio é um assunto ainda pouco discutido
entre a população. Enquanto isso, segue fazendo vítimas em face de problemas
psiquiátricos e da desesperança de muitos em dias melhores.
O
Amazonas registra uma média de dois suicídios por semana, taxa que coloca o
Estado na 11ª posição entre as unidades da Federação. Dados da Associação
Brasileira de Psiquiatria indicam que no Brasil há, por ano, em média 11 mil
suicídios, sendo que, em 96% dos casos, as pesosoas que se mataram tinham um
diagnóstico de doença psiquiátrica, como transtornos mentais, de humor e
depressivos e relacionados ao uso de álcool ou drogas ilícitas.
Os
índices estão vindo à tona este mês, durante a campanha “Setembro Amarelo -
Prevenção ao Suicídio”, que é organizada pela Defensoria Pública do Estado
(DPE) com apoio da Associação Brasileira (ABP) e Amazonense de Psiquiatria
(AAP) e Conselho Federal de Medicina (CFM).
Em
Manaus a campanha foi aberta no último sábado, Dia Mundial de Prevenção ao
Suicídio, no Largo São Sebastião, com ações de conscientização sobre a
valorização da vida - a primeira foi uma panfletagem sobre as causas mais
comuns do suicídio e as possibilidades de prevenção. Participaram psiquiatras,
psicólogas da DPE-AM e defensores e defensoras públicas.
Para lembrar
Importantes
prédios públicos, como o Palácio da Justiça e a Assembleia Legislativa
(ALE-AM), e praças esportivas como a Arena da Amazônia vão receber iluminação
na cor amarela neste mês, em alusão ao Setembro Amarelo. Amanhã, a programação
segue na Assembleia Legislativa com palestras de 9h às 12h, e no dia 18,
acontece nova panfletagem desta vez no calçadão da Ponta Negra.
Segundo
o presidente da AAP, psiquiatra Cleber Naief Moreira, o passo inicial para se
combater o suicídio é a conscientização de que este é um problema que é
possível prevenir. “A prevenção ao suicídio passa, sobretudo, pela
conscientização da população para que se abra o diálogo e se esclareça que
existe tratamento que pode evitá-lo”, afirmou, revelando o silencioso problema.
“Dois
suicídios por semana parece ‘pouco’ em comparação com a média nacional, mas
ainda acreditamos que exista uma subnotificação, onde muitos casos acontecem e
não são diagnosticados dessa maneira, mas de outra forma”, explica o psiquiatra
Pablo Gnutzmann, vice-presidente da Associação Amazonense de Psiquiatria.
Defensor teve caso na própria família
O
defensor público Ricardo Trindade,
coordenador da campanha “Setembro Amarelo - Prevenção ao Suicídio”,
disse que o evento visa quebrar o tabu do silêncio sobre o tema.
E
ele tem motivos afetivos para abraçar a campanha : há três anos ele perdeu uma
filha, de 16 anos de idade. Hoje, ele procura conscientizar para que outras famílias
não sintam a mesma dor.“Aqui no Amazonas estamos em 11º lugar em números de
suicídio. No Brasil há um suicídio a cada 40 segundos. É um problema
extremamente alarmante de saúde pública considerado pela Organização Mundial de
Saúde (OMS). Existe um grande tabu, pois é algo que não se costuma falar,
comentar, porque por trás existe um estigma muito grande. Mas hoje a visão é
outra: ao contrário do silêncio, deve-se falar do problema. Esse seria o melhor
modo de ajudar essas pessoas que
têm tendências suicidas como também
atender aqueles familiares que perderam alguém por conta desse gesto extremo”,
disse.
Frase
"Para
a psiquiatria esse evento é de extrema
importância. Mais de 90% das causas de suicídio estão relacionadas a algum
transtorno mental, de humor, depressivo ou de uso de drogas lícitas e ilícitas”
-
Pablo Gnutzmann, vice-presidente da AAP
Fonte/Foto: Paulo André Nunes – A Critica/Clóvis
Miranda

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