VÍTIMA: MULHER



- Publicado por Lúcio Flávio Pinto, em 07.05.2016

Uma jovem santarena, testemunha de um grave incidente ocorrido ontem num bar da cidade, fez um apelo pela internet para localizar e punir o autor de violência física e moral contra três jovens que estavam ao lado dela. Trata-se de episódio ao qual estão sujeitas as mulheres quando defrontam um agressor masculino. Por isso, a mensagem merece ser repercutida, para que tenha a devida consequência.
Como todos sabem, o bar Avesso possui apenas um banheiro para mulheres e um banheiro masculino com dois mictórios e uma “cabine” com vaso. Por isso, é comum que muitas vezes as mulheres usem o vaso do banheiro masculino.
Um rapaz foi levar sua amiga no vaso do banheiro masculino. Quando estavam saindo do lugar apareceu um homem que empurrou a moça para dentro do banheiro, fechou a porta e ficou bloqueando a saída dela. Quando o rapaz amigo da moça começou a pedir para que o homem abrisse a porta ele simplesmente disse: “calma ela so vai dar uma chupadinha”.
Quando finalmente conseguiram abrir a porta (com ajuda de outros homens) o senhor nojento estava com seu pênis para fora e a moça estava simplesmente aterrorizada. Após isso, a amiga da vítima de assédio foi defendê-la e gritou com o homem.
O que ele fez foi dar dois tapas, que não pegaram na moça, mas sim numa terceira mulher que estava do lado e não tinha nada a ver com a situação. Um homem nojento conseguiu assediar e agredir três mulheres!
Depois de todo o ocorrido, o homem simplesmente voltou para a sua mesa, como se nada tivesse acontecido, deixou uma mulher traumatizada e uma chorando por levar dois tapas na cara. Felizmente, a mulher que discutiu com ele não se calou e foi mais uma vez (desta vez na frente de todos) chamá-lo de machista nojento e gritar tudo o que ele fez.
Surpresa! As pessoas parecem não se impressionar com isso. Fizeram pouco caso. A polícia demorou mil anos para chegar ao local, dando tempo até mesmo do agressor ir embora. Logo em seguida, na delegacia, avisaram que o “BO não poderia ser feito de noite, e precisariam do nome do acusado”.
A delegacia da mulher estava de portas fechadas e luzes apagadas. O sentimento de impotência é horrível! Principalmente quando você vê acontecer bem diante dos seus olhos, quando você vê outra mulher chorando por ter levado dois tapas e não pode fazer nada além de confortá-la!
As lágrimas das mulheres que sofreram assédio e agressão são minhas também, poderia acontecer comigo ou com uma de minhas melhores amigas, com qualquer mulher e até mesmo com você que está lendo este apelo de socorro. E nada se faz!
As pessoas simplesmente se calam e não prestam ajuda nenhuma. Ninguém do bar avesso prestou socorro para nenhuma das três moças. Que mundo é esse no qual agressão e assédio passam de forma normal? Estou acostumada a ver milhares de casos como esse na internet, mas quando acontece bem do seu lado e com pessoas que você conhece o sentimento é pior, sentimento de raiva, impotência e tristeza.





- Lúcio Flávio Pinto é jornalista profissional desde 1966. Percorreu as redações de algumas das principais publicações da imprensa brasileira. Durante 18 anos foi repórter em O Estado de S. Paulo. Em 1988 deixou a grande imprensa. Dedicou-se ao Jornal Pessoal, newsletter quinzenal que escreve sozinho desde 1987, baseada em Belém.
No jornalismo, recebeu quatro prêmios Esso e dois Fenaj, da Federação Nacional dos Jornalistas. Por seu trabalho em defesa da verdade e contra as injustiças sociais, recebeu em Roma, em 1997, o prêmio Colombe d’oro per La Pace e, em 2005, o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection), de Nova York.


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