PCC TEM BASE EM TODOS OS ESTADOS E EM SEIS PAÍSES
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| Marcola assumiu o mais alto posto do PCC em 2002, de onde nunca mais saiu |
O poderio financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) reflete
diretamente seu poderio geográfico. À medida que as receitas da organização
crescem, expandem-se também seus limites territoriais.
Se, em 2013, após três anos e meio de investigações, o Ministério
Público Estadual (MPE) concluiu que a facção se espalhava por 22 Estados,
Distrito Federal, Bolívia e Paraguai, hoje o PCC se faz presente em todas as 27
unidades da federação e já tem bases também na Argentina, no Peru, na Colômbia
e na Venezuela.
Segundo o MPE, há evidências nas investigações que mostram
contatos diretos de integrantes do PCC com o Exército do Povo Paraguaio (EPP),
um grupo terrorista contrário ao governo local, e com as Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc).
"O foco está no tráfico de drogas e armas com todos os países
listados. Começamos a verificar, por exemplo, o uso de fuzis argentinos no
Brasil por parte de integrantes do PCC recentemente", conta o promotor
Lincoln Gakiya, de Presidente Prudente.
No Brasil, a presença do PCC, além de São Paulo, é mais forte em
Mato Grosso do Sul e no Paraná, por causa da fronteira com os países que têm
bandos parceiros da facção.
Segundo investigações, aos poucos, o grupo está deixando de lado
os intermediários e assumindo a compra direta de drogas. É o caso de Fabiano
Alves de Souza, conhecido como Paca e apontado como o único integrante da
cúpula em liberdade.
Segundo a polícia, ele vive no Paraguai e envia droga para o
Brasil sob encomenda da facção. Paca estava preso no Regime Disciplinar
Diferenciado (RDD) até 2014, quando recebeu um habeas corpus da Justiça. Sua
prisão preventiva foi decretada pouco depois, mas ele nunca mais foi
encontrado.
Segundo o procurador de Justiça Márcio Sérgio Christino,
"eles [os integrantes do PCC] conseguem ocupar uma região, um Estado, um
país, porque há espaço. Há espaço porque conseguem fornecer drogas. É uma
relação comercial", afirma.
Investigações do MPE, de outubro de 2013, além do audacioso plano
de execução do governador Geraldo Alckmin (PSDB) - considerado pelos criminosos
como o responsável pela "opressão" à população carcerária -,
revelaram a existência de uma aliança entre o PCC e o Comando Vermelho (CV),
organização do Rio. Em território nacional, essa é a única facção que
estabeleceu uma parceria com a facção paulista.
Os bandidos, segundo as investigações, trocavam informações sobre
métodos de assaltos e sequestros e também sobre como estabelecer o domínio
dentro do sistema prisional. De acordo com Christino, isso não acontece nos
demais Estados.
"Tudo está baseado no crescimento do tráfico de drogas. No
Rio, as facções têm meios e infraestrutura para fornecer e comprar drogas em um
ritmo acelerado", explica.
Pelo restante do Brasil, o PCC tem controle garantido sobre o
crime organizado. Christino diz que um revendedor de drogas cria vínculo com a
facção e, desse modo, ganha projeção dentro da própria estrutura do
"partido". "A facção cresce nos Estados que não têm a mesma
estrutura de venda de drogas", diz o procurador. "Nos demais Estados,
o PCC supre essa falta de estrutura e acaba cooptando os traficantes locais.
Por isso, a facção cresce."
Em janeiro de 2015, a polícia e o MPE descobriram contas na China
e nos EUA que estariam sendo usadas para lavagem de dinheiro. Entre 2013 e
2014, a suspeita é de que a facção possa ter movimentado R$ 100 milhões - o
valor é uma estimativa.
Segundo as investigações, o PCC ainda não está familiarizado com a
lavagem de dinheiro por meio de offshores e prefere operar com dinheiro vivo.
Para isso, a organização guarda dinheiro em residências (enterrando em
quintais, por exemplo) ou usa casas de câmbio para transferir valores para a
compra de drogas na Bolívia e no Paraguai.
Histórico
A trajetória de crescimento do PCC vem de longa data: partiu de um
presídio e atravessou fronteiras. O bando que hoje domina o crime no Brasil e
atua na América do Sul, Europa e África foi fundado por apenas oito presos no
Anexo da Casa de Custódia de Taubaté, no Vale do Paraíba, em 31 de agosto de
1993. Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra, foi o primeiro líder da facção.
Foi Sombra quem comandou, em fevereiro de 2001, a primeira
megarrebelião de São Paulo, quando 29 presídios foram tomados simultaneamente e
16 detentos morreram. Foi assassinado cinco meses depois. Marcola assumiu o
mais alto posto do PCC em novembro de 2002, de onde nunca mais saiu. As
informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
Fonte/Foto:
Estadão Conteúdo


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