FEMINISTAS CRITICAM A OMISSÃO DOS QUE PRESENCIARAM A VIOLÊNCIA SEXUAL NO BAR AVESSO, EM SANTARÉM-PA
- por Keliane Bandeira
Feministas criticam a omissão dos que presenciaram a violência
sexual no bar Avesso, keliane bandeira, Santarém, Coletivo Feministas JuntasA
culpa não foi da fila do banheiro dos homens ser próxima da das mulheres, a
culpa não foi da quantidade de bebida que agressor ingeriu muito menos das
roupas que a moça vestia.
Para começar apontar a raiz do assédio sofrido pela jovem em um
bar em Santarém na ultima sexta-feira (06), é necessário desconstruir os jogos
de palavras que culpabilizam vítimas, terceiros, ambientes, menos o agressor.
Falemos sobre o agressor, um homem cujo nome ainda não foi
divulgado e a identidade oficial permanece no desconhecimento.
Causa tamanho espanto nas redes sociais a violência com que o
rapaz se utilizou, trancou a vítima no banheiro, pôs o pênis para fora,
posteriormente agrediu mais duas mulheres e voltou a sentar-se na mesa, tudo
isso no meio de um bar bastante frequentado.
Causa-nos espanto maior a naturalidade com que a postura das
pessoas que no local presenciaram o assédio e nada fizeram.
A dona do bar, uma mulher, nada fez para que o rapaz não
continuasse despojando calmamente os serviços da casa, os seguranças que se
tornaram armários literalmente, a polícia e sua morosidade em atender casos de
agressão à mulher, os garçons, as mulheres que lá estavam, os outros homens
etc.
Obviamente a culpa do assédio não é de nenhum desses atores
citados, mas indiretamente em algum momento do nosso cotidiano nos veremos com
um desses personagens e nada faremos também?
Infelizmente o assédio ocorrido não é pontual, ao contrário,
mulheres são agredidas a cada minuto e quando não ocorre em locais frequentados
por uma classe social mais elevada nem indignação causa.
Quantas mulheres da periferia são agredidas e não causam comoção
nem mesmo virtual.
O que queremos chamar atenção é que casos como esse acontecem a
todo o momento, nós mulheres somos assediadas em todos os lugares e mais que
isso, somos culpabilizadas por atos que sequer são nossos.
A masculinidade que na sociedade patriarcal precisa ser expressa
diariamente como autoafirmação de uma frágil heterossexualidade gera esse tipo
de acontecimento.
O discurso do político machista na televisão, da mulher que
enquanto gênero se veste de ideologias masculinas, do discurso que “não
precisamos do feminismo”, o pai misógino, o vizinho sexista, as novelas que
exacerbam e fazem da mulher uma caricatura ligada a histeria e fraqueza são
exemplos de como começam atitudes que culminaram no assédio do bar, por
exemplo.
A agressão é sempre o ato final de toda uma ideologia desta
sociedade que põe sobre as mulheres um título de propriedade, que as
inferioriza e que dá ao homem privilégios. Pensemos nessa agressão sofrida por
essas três mulheres nesse bar em todos os aspectos, pensemos nas mulheres que
morrem vítima de feminicídio como responsabilidade nossa.
Precisamos mudar as entranhas da sociedade que vivemos e deixar de
aceitar abusividade cotidiana nos seus mínimos detalhes, pensar no voto
consciente e numa política que seja efetiva para as mulheres.
Vamos nos despir de uma fragilidade que nos obrigaram a acreditar
que temos, uma histeria criada para nos enfraquecer. Mulheres, nós sofremos
opressões semelhantes todos os dias, se os homens vendados por seus privilégios
não enxergam nós temos que nos unir e apontar o caminho que queremos.
Muito se fez para que nós hoje tenhamos nosso começo de liberdade
conquistado, o direito de votar e ser votada, o direito da separação que um dia
foram utopia em alguma sociedade e que foi desconstruídos com luta e
resistência. Sejamos nós a luta e resistência da nossa geração!
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- Keliane Bandeira
(foto) é porta-voz do coletivo Feministas Juntas, de Santarém


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