ENCONTRO EM SANTARÉM DEBATE OS 181 ANOS DA CABANAGEM NO PARÁ
Evento vai acontecer neste final de semana, na
comunidade de Cuipiranga, região de rios
Um encontro que acontece
neste fim de semana em Santarém vai debater os 181 anos da Cabanagem no Pará e
os 180 anos da Cabanagem no Baixo Amazonas. O “6º Encontro Memórias da
Cabanagem” será realizado de 8 a 10 deste mês, na Comunidade de Cuipiranga, na
região de rios, em Santarém.
Durante o encontro será
exibido pela primeira vez no Brasil, o mais recente documentário do cineasta
Renato Barbieri, intitulado “A Revolta dos Cabanos”, que trata da Guerra da
Cabanagem.
O documentário que trás as
novas descobertas e interpretações sobre a Cabanagem , foi realizado para a TV
Escola/ MEC, e deve ser exibida em cadeia nacional, nos próximos meses. De
acordo com o coordenador do evento, Wilverson Rodrigo de Melo, a Guerra da
Cabanagem vem sendo entendida por pesquisadores como uma revolução armada que
propiciou significativas mudanças no cenário social da Amazônia.
“Se a vias de fato as
mudanças no cenário sócio-político não foram perenes, ao menos no campo
ideológico e antropológico dos valentes paraenses, as mudanças foram. Dado este
cenário complexo e dicotômico é, que estudantes, pesquisadores e sociedade
civil organizada se reúnem todos os anos (desde 2010) em Santarém e Cuipiranga
para rememorar e rediscutir os fatos históricos envolvendo a temática da
Cabanagem na região do Baixo Amazonas”, diz.
De acordo com ele, por ser
uma temática da história social do Brasil que ainda precisa ser mais esmiuçada
e historicizada é, que este VI Encontro Aberto da Cabanagem se propõem a
contribuir com a historiografia do Brasil e da Amazônia rediscutindo e
analisando a Cabanagem no Baixo Amazonas, a partir de outros deslocamentos
analíticos e releituras de diferentes fontes de pesquisa provenientes do
Arquivo Público do Estado do Pará (APEP), Arquivo Público do Estado de
Pernambuco Jordão Emerenciano (APEJE), Biblioteca Arthur Viana, jornais da
época e, tradições orais imbuídas na memória coletiva dos amazônidas da região.
“Neste ano se completa 181
anos da Cabanagem no Pará, e devemos refletir: as lutas de ontem diferem das
lutas de hoje? A maioria de nós paraenses (santarenos) sabe o que foi a
Cabanagem e como nossos antepassados estiveram engajados nesse processo de
melhoria das condições sociais? Muitas são as lacunas e interrogações sobre a
Cabanagem, algumas possíveis de serem alcançadas, outras ainda se encontrarão
em aberto, para remediar isso é que se faznecessários estudos, pesquisas, conversas,
discussões sobre o tema”, destaca Melo.
REVOLUÇÃO: A “Revolução”
da Cabanagem foi um movimento que ocorreu na província do Grão-Pará entre
1835-40. Tal movimento faz parte das seis grandes revoltas (Balaiada, Cabanada,
Sabinada, Cabanagem, Revolta dos Malês e Farroupilha) do Período Regencial do
Império Brasileiro. Historicamente o cenário para a eclosão da Cabanagem advém
desde 1.822 quando D. Pedro I realizou o grito do Ipiranga e posteriormente
passou a adotar medidas políticas para a manutenção da unidade da América
Portuguesa. Neste contexto algumas províncias brasileiras (como Grão-Pará,
Maranhão, Bahia e outros) com receio de que o “alvorecer da Independência”
fosse algo efêmero e com medo de que a adesão a este movimento lhes trouxesse
drásticas repressões por parte de Portugal a exemplo das ocorridas durante o
governo de D. Maria I e do período Joanino, decidiram por continuarem sendo
fiéis a Coroa e a administração de sua metrópole portuguesa.
No que tange ao Grão-Pará,
esta província foi à última (já que a Cisplatina atual Uruguai se separou do
Brasil em 1828) a aderir ao movimento integracionista de Independência
brasileira orquestrado politicamente por D. Pedro I. Neste período (1822-23) o Imperador
teve de contratar mercenários ingleses, franceses e suíços para reprimirem as
províncias rebeldes e conduzi-las ao processo de integração do Brasil. Para o
Grão-Pará é enviado o capitão John Pascoe Greenfell que de forma astuta
consegue enganar a junta política paraense conseguindo assim que o Grão-Pará
aderisse a Independência em 15 de Agosto de 1823.
A arquitetação política da
Cabanagem advém do cônego Batista Campos que após a chegada do Presidente do
Grão-Pará Bernardo Lobo de Souza, inicia várias viagens pelas regiões da
Província na ânsia de conseguir apoio político pelas vilas e freguesias da
região para assim ser aclamado/eleito presidente da Província.
Batista Campos por não
conseguir apoio político suficiente para tal feito, usou de seu prestígio e
influência religiosa para mobilizar milícias que deveriam destituir Bernardo
Lobo de Souza da presidência da província e assim conduzir o Cônego ao cargo.
Batista Campos acaba falecendo em 1º de Janeiro de 1835, e os rumos do
movimento rebelde ganharam outros caminhos e aspirações, passando a tornar-se
uma “revolução” popular, ganhando diversos significados e motivações políticas
e subjetivas de muitos grupos (de raça, classe) diferentes.
Fonte: RG
15/O Impacto


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