LINHA E ANZOL: PESCA TRADICIONAL É A MELHOR OPÇÃO NO PERÍODO DE VAZANTE
Família vive da pesca de sobrevivência em comunidades
do Janauacá e relata as agruras neste período de vazante lenta
Nada de peixinho de
alumínio (isca artificial) e molinete. É com carazinho, pescado com minhoca,
que os moradores do igarapé Ajará pescam
tucunarés de vários tamanhos, e usando apenas uma linha normal com um anzol na
ponta.
O local é uma das
ramificações do lago do Janauacá, a Sudoeste de Manaus, onde uma família
composta por 18 pessoas dividem cinco casas, muitos causos e a harmonia de uma convivência extremamente agradável.
Tudo ao comando do patriarca Paulo Mossambite, 57, e da esposa Francisca. A
pesca é puramente de subsistência e a divisão da produção parece lei. Quem pega
mais divide com quem pega menos peixes.
O período lento de descida
dos rios dificulta a pesca e quem não perdeu a produção agrícola com as
constantes queimadas, vive da venda de farinha e de frutas. Há muita reclamação
quanto à desproporcionalidade no preço entre o pescador e o atravessador.
“Até 12 anos meu pai
trabalhava com roça. Aí, mudamos para pesca. Desde lá, é só pesca, mas a gente
‘morre’ na mão dos atravessadores (quem compra para revender). A cada ano fica
mais difícil”, relata Josias Braga Barbosa, 40, morador da comunidade Boas
Novas, no Janauacá.
“Quando não conseguimos
pegar, compramos o quilo do peixe por R$ 1 para
vender R$ 1,10. Isso aqui no frigorífico do Iranduba (a 25 quilômetros
de Manaus). São cinco pacus pra dar um quilo. Lá em Manaus, os caras vendem os
mesmos cinco por vinte reais. Então, não vale mais a pena a gente pescar pra
vender. Só quando Manaus tiver um frigorífico. Só quem ganha é o atravessador”,
lamenta Josias.
O patriarca Paulo
Mossambite revela que, no período da cheia, quando a pesca fica mais escassa, a
família procura outras atividades para salvar a “comida de cada dia”. “Aqui,
tem pedreiro, carpinteiro, enfim, cada um se vira nos trinta para alimentar a
família. A vida é assim mesmo”, revela Paulo.
Em baixa
Na noite de quinta-feira
da semana passada, o jornal A CRITICA
acompanhou Josias Braga Barbosa numa pescaria. Ele lançou 600 metros de
malhadeira numa área liberada para pesca no lago do Janauacá, mas só conseguiu
seis peixes.
Restrição vira boa opção de lazer
Como a pesca comercial é
proibida em grande parte do Janauacá, sudoeste de Manaus, a pesca esportiva é
imensa.
Terminal Pesqueiro é ‘só enfeite’
Atualmente não há nenhum
terminal pesqueiro público em funcionamento em Manaus. E os privados, e com
maior estrutura, estão concentrados em municípios no interior como Manacapuru
(2), Iranduba (2), Itacoatiara (1), Tefé (1) e Parintins (1). Ainda existem
outros menores nestas cidades, mas servem aos interesses dos proprietários e
funcionam apenas como entreposto de recebimento de peixe para revenda. O
Terminal de Manaus funciona apenas como ancorador de balsas. O terminal está
pronto há quase nove anos, mas nunca foi inaugurado por conta de
desentendimentos políticos. Ninguém, até hoje, definiu se pertence ao Município,
ao Estado ou ao ministério da Pesca. O Terminal Pesqueiro custou R$ 20 milhões.
A obra chegou a ser embargada pela Justiça por falta de definição sobre a posse
do terreno. Atualmente, o local é usado por pescadores e vendedores, mesmo sem
a abertura oficial do governo federal.
Fonte/Foto:
Nelson Brilhante – A Critica/Márcio Silva


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