FPM: QUEDA NOS REPASSES CAUSA PREJUÍZO A PREFEITURAS DO PARÁ
Em setembro, 30 prefeitos de municípios paraenses
zeraram os recursos do FPM com o pagamento de dívidas previdenciárias debitadas
na fonte pelo INSS nas contas municipais
Queda de 5,5% no Fundo de
Participação dos Municípios (FPM), desoneração de impostos, aumentos dos pisos
salariais de categorias do funcionalismo, estagnação do Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da
Educação (Fundeb), restos a pagar e obras paradas, são algumas das causas que
estão levando municípios brasileiros a um colapso financeiro, segundo estudo da
Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que aborda os efeitos da política
macroeconômica do País sobre as prefeituras.
No Pará, a situação não é
diferente. Em setembro, 30 prefeitos de municípios paraenses zeraram os
recursos do FPM com o pagamento de dívidas previdenciárias debitadas na fonte
pelo INSS nas contas municipais, informou o presidente da Associação dos
Municípios do Araguaia e Tocantins (Amat/Carajás), Valber Milhomem, prefeito de
Bannach. A entidade reúne 38 municípios do sul e sudeste paraense.
Milhomen representa o Pará
na Diretoria da CNM. Ele frisou que é com o recurso do FPM que as prefeituras
pagam a folha de pessoal, fornecedores e compromissos do dia a dia. Sem o FPM,
a crise é aguda. O prefeito de Bannach também observou que o Fundeb, criado em
2007, já não dá para pagar os salários dos professores, em razão dos aumentos
do Piso do Magistério e reduções da receita.
A aflição do prefeito de
Bannach não difere da angústia de centenas de gestores políticos Brasil afora,
segundo o consultor da CNM, Eduardo Strans. Para ele, os municípios em todo o
Brasil ‘’estão chegando ao colapso financeiro em todo o País’’, disse. Strans observou
que a partir de 1988, os municípios foram elevados à condição de entes
autônomos e ao longo desse período absorveram novas competências, porém, sem as
respectivas fontes de receitas. De 2009 para cá, o piso do magistério cresceu
88% e a receita para o pagamento, que é o Fundeb, aumentou somente 59%. Este
ano, o piso do magistério subiu 13%, e o Fundeb, 6%.
A CNM faz pesadas críticas
à distribuição da carga tributária brasileira por ente da federação, devido à
municipalização das políticas públicas e continuidade da concentração dos
recursos nas mãos da União. A carga tributária do País está estimada em cerca
de R$ 1,3 trilhãos, representando 35% do PIB Nacional. ‘’Tirando os convênios
que a União passa de forma discrionária aos municípios, a distribuição fica
mais ou menos assim 57% com a União,26% no Estado e 20% nas mãos dos
municípios’’, disse Eduardo Strans.
‘’O FPM, principal fonte
de receita da grande maioria dos municípios, é uma transferência
constitucional, não é um favor da União, é uma arrecadação de IPI e Imposto de
Renda, gerada nos municípios e distribuída de acordo com o coeficiente. Até o
dia 10 de setembro, os números mostram, em termos reais, queda de 5,5% no
Fundo. Em ternos nominais, há um aumento de 4%. Em 2013, o FPM teve um crescimento
de 1,2%; em 2014, 2% e este ano, deve chegar a 1,5% e 2% de crescimento’’,
assinalou o representante da CMN.
O levantamento feito pela
CNM, segundo Strans, tem o propósito de explicar a origem dos problemas. Foram
levantados desde a desoneração de impostos como o IPI e o Imposto de Renda,
assim como, o histórico de aumentos salariais concedidos pelo governo federal
para algumas categorias.
De acordo coma a
Confederação Nacional dos Municípios (CNM), por ocasião da crise econômica
mundial de 2008, a União desonorou impostos partilhados com estados e
municípios, a exemplo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e
Imposto de Renda (IR), o que dá a incrível soma, de 2008 a 2014, de uma
desoneração avaliada em R$ 516 bilhões. A repercussão disso no FPM, é de que
deixaram de entrar nos cofres dos municípios R$ 121 bilhões, de 2008 a 2014. No
Pará, os municípios deixaram de receber R$ 4,4 bilhões por essa poítica de
incentivo à linha branca de eletrodomésticos e veículos.
Além disso, segundo
Eduardo Strans, a partir de 1988, a União passou a criar as contribuições que
não são partilhadas com Estados e Municípios. “Se a gente trouxesse o mesmo
acordo de 1988 para 2014, poderíamos dizer o que o FPM perdeu, em valores, nada
mais nada menos, do que R$ 547 bilhões de reais, isso é o que deveria ter
entrado nos cofres dos municípios nesse período todo. Os municípios do Pará
tiveram perda de R$ 19 bihões de reais por essa política da União de criar as
contribuições não compartilhadas’’.
Fonte/Imagem:
O Liberal


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