PREOCUPANTE: PIRATAS CAUSAM PÂNICO E MORTES EM RIOS E EMBARCAÇÕES NO AM, RO E PA
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| Embarcações de diferentes tamanhos têm sido alvos de criminosos |
Entre 2014 e 2015, SSP-AM diz que mais de cem furtos
foram registrados.
Entidade sugere criação de Polícia Fluvial no modelo
da Polícia Rodoviária.
Os furtos, roubos e
ataques de piratas a embarcações na Região Norte do Brasil preocupam o setor de
transporte fluvial de cargas e passageiros. Os principais alvos dos criminosos
são as embarcações, que navegam nos rios que banham os estados do Amazonas,
Pará e Rondônia. Casos de latrocínios – roubos seguidos de mortes – são
registrados em regiões como o Estreito de Breves. Registros da Secretaria de
Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) apontam mais de cem casos envolvendo
furtos e roubos entre 2014 e início de 2015.
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| Em dezembro de 2014, barco foi encontrado à deriva com restos mortais |
As empresas de navegação e
representantes dos trabalhadores do segmento alertam sobre a necessidade de
medidas governamentais para coibir as ações criminosas. Segundo a SSP-AM, uma
operação conjunta com polícias amazonenses, Forças Armadas e Polícia Federal
será realizada para combater as quadrilhas a partir de maio.
A insegurança na navegação
fluvial é uma realidade vivenciada na região. Os ataques de piratas aos navios
e outros tipos de embarcações ocorrem com maior incidência no Estreito de
Breves, que fica situado em território paraense e serve de ligação fluvial entre
os estados do Pará, Amapá e Amazonas.
Os alvos principais são as
balsas que levam de Manaus componentes eletrônicos, dentre eles, produtos de
informática e computadores. As cargas de combustíveis e botijões de gás de
cozinha também têm atraído os criminosos. Ao longo do Rio Pará, os passageiros
de embarcações e as mercadorias transportadas são os focos dos ladrões.
"Temos tido muito
problema de segurança na região do Estreito de Breves e no Rio Madeira. A
situação mais crítica é a partir de Borba com casos de prostituição infantil,
assaltos a embarcações, que ocorrem, principalmente, no período da noite. Nos
preocupa muito ainda é que de Manicoré acima tem muito garimpo, o que favorece
a criminalidade", revelou o presidente do Sindicado das Empresas de
Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma), Dodó Carvalho.
O presidente do Sindicato
dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários do Amazonas (Sintraqua), capitão
Rucimar Souza, também aponta o Estreito de Breves como principal trecho onde há
mais ocorrências de
ataques de grupos de
piratas. As ações afetam as embarcações paraenses e ainda os navios
amazonenses.
"Nos rios da Bacia
Amazônica essas práticas indesejáveis de piratas estão acontecendo constantemente.
O Estreito de Breves é um caminho por onde passam as embarcações de pequeno,
médio e grande porte para chegar ao Pará. O Estreito de Breves é uma área cheia
de perigos e onde a maioria dos casos de ataques de piratas acontecem. Os
piratas prendem a tripulação e cometem atos ilícitos. Antes de entrar no Pará,
ainda no Amazonas, os casos também acontecem, mas com menos frequência",
comentou o presidente do Sintraqua.
No Amazonas, os ataques
acontecem com menor frequência, mas ocorrem no Rio Madeira, em trechos que
passam pelos municípios de Manicoré e Novo Aripuanã, na região Sul do estado.
Os criminosos atuam ainda no trecho do Rio Amazonas entre Itacoatiara e
Parintins. Os ataques dos piratas têm sido registrados ainda em rios que banham
Manaus e cidades da Região Metropolitana.
Um dos casos mais recentes
ocorreu no final de 2014, quando os vendedores José Luiz de Souza, de 52 anos,
e Antônio Marcos Carpino de Lima, 23, foram assassinados e esquartejados na
embarcação que navegavam pelo Rio Negro entre Manaus e Novo Airão.
"No trecho de
Itacoatiara à Parintins o risco é maior. Os piratas são tão organizados que
conseguem acompanhar as comunicações de rádio das embarcações. Com base nessas
informações o pirata sabe qual o horário e trecho a embarcação passará. É
preciso analisar uma maneira de evitar acesso aos rádios", afirmou o líder
dos trabalhadores aquaviários.
Além de roubar as cargas e
pertences, os piratas agem de forma violenta, de acordo com relatos das
entidades de navegação fluvial. “Recentemente, no final de março, uma
embarcação foi abordada pelos piratas, o chefe de máquinas reagiu e ele foi
morto com tiros no Estreito de Breves. Uma situação muito preocupante”, relatou
Rucimar Souza.
Falta de policiamento
As empresas de navegação
do Amazonas cobram a discussão de mecanismos para promover a segurança das
tripulações. Uma das sugestões do Sindarma é que seja criada uma Polícia
Fluvial para coibir os crimes, incluindo o tráfico de drogas nos rios que
banham os estados do Norte do país.
"Reivindicamos mais
policiamento nos rios e buscaremos no âmbito federal a criação de uma Polícia
Fluvial, como tem, por exemplo, a Polícia Rodoviária nas estradas. Precisamos
de ações que tragam segurança para
os trabalhadores e os
passageiros da navegação fluvial na região", enfatizou o presidente do
Sindarma.
No Amazonas e no Pará, a
Polícia Civil possui Delegacias Fluviais. Entretanto, na estrutura de segurança
pública amazonense não há um grupamento especializado somente no combate
ostensivo aos crimes nos rios. "O patrulhamento precisa ocorrer em trechos
mais distantes e não se restringir às orlas das sedes dos municípios, pois nas
áreas afastadas que os ataques acontecem", justificou Rucimar Souza.
No caso do Amazonas, de
acordo com a Polícia Civil a Delegacia Fluvial inaugurada em 2006 abrange todo
estado. Entretanto, a principal embarcação da especializada fica atracada em
Manaus e somente durante eventos populares segue para municípios do interior do
estado. A delegacia funciona em um ferry boat e conta ainda com duas pequenas
lanchas. O efetivo da Delegacia Fluvial tem apenas um delegado, sete
investigadores, um motorista policial e alguns tripulantes do setor de
manutenção.
O delegado da Delegacia
Fluvial Rafael Costa e Silva disse que não há levantamento de roubos e furtos
contra embarcações nos rios que banham o Amazonas. Desde que assumiu a
delegacia em fevereiro, ele afirmou que foi registrado somente um caso de roubo
ocorrido em rio entre Tefé e Coari. Os suspeitos ainda não foram identificados.
"Uma vítima veio
comunicar que tinha sido roubada no rio. Os meliantes levaram uma lancha de
motor 250. Chegamos a fazer diligências, mas não conseguimos identificá-los,
pois eles agem encapuzados nos rios em períodos noturnos, longe de câmeras ou
de qualquer outro tipo de tecnologia que possa ajudar a identificação. Não é
fácil a identificação, mas é uma preocupação nossa. Temos conhecimento que
acontecem, mas são casos isolados", afirmou Rafael Costa.
Os piratas geralmente
utilizam armamento de grosso calibre, agem encapuzados e trajam até falsos
uniformes da polícia para dificultar as investigações. Os criminosos conhecem
bem a navegação na região. "Eles conhecem furos, igarapés e igapós. Sabem
que em determinados períodos do ano conseguem passar pelos atalhos e até se
esconder pela mata", acrescentou o delegado. A população pode acionar a
Delegacia Fluvial amazonense através do disque-denúncia: (92) 99277-3603.
Ameaça real
O Comando do 9º Distrito
Naval explicou que compete a Marinha fiscalizar, exclusivamente, a segurança da
navegação, a salvaguarda da vida humana e prevenção da poluição hídrica,
conforme prevê a Lei de Segurança do Transporte Aquaviário (Lei 9.537 de 11 de
dezembro de 1997).
A Marinha informou em nota
que não possui um levantamento ou registro dos ataques de piratas nos rios da
Amazônia. Segundo a Marinha, embora não seja caracterizado como pirataria, na
área de jurisdição do Com9ºDN foram constatados casos ilícitos relacionados a
assaltos a mão armada contra embarcações praticados por quadrilhas,
regionalmente denominados como "barrigas d'água".
"Considerando a área
geográfica e a extensão dos rios navegáveis da região Amazônica, a ameaça
torna-se real, pois os órgãos responsáveis pela segurança não tem condições de
se fazer presentes durante todo o tempo e em toda sua extensão. O Com9ºDN atua
nos rios da Amazônia cumprindo uma de suas atribuições subsidiárias",
esclareceu a Marinha.
secretário de Segurança
Pública, Sérgio Fontes, anunciou resultados da
Ações
A SSP-AM divulgou que o
Batalhão Ambiental atualmente atua como Pelotão Fluvial. O titular da pasta,
Sérgio Fontes, disse que o estado tem feito investimentos na estrutura
operacional de combate à criminalidade nos rios. A secretaria prevê a compra de
mais lanchas.
"Há menos de um mês
encaminhamos 12 lanchas novas para as localidades de municípios de fronteira. A
nossa ideia é que cada município ribeirinho tenha uma lancha com projeto de
patrulhamento que inibirá pelo menos no entorno das cidades crimes dessa
natureza. Até o final do mês de maio, iniciaremos uma operação conjunta com as
Forças Armadas e a Polícia Federal no Alto Solimões. Vamos estar com a presença
intensa de policiamento fluvial", anunciou Sérgio Fontes.
Solicitado pelo G1,
levantamento da SSP-AM informa que 107 casos de furtos e dois de roubos nos
rios foram registrados entre 2014 e os três primeiros meses de 2015. As
entidades do setor entrevistadas informaram que não têm números consolidados
sobre o problema.
Fonte/Fotos:
G1 AM/Adneison Severiano – Divulgação Batalhão Ambiental



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