O PERIGO VEM DO ALTO: SEM REGRAS DEFINIDAS, PAPAGAIOS COM CEROL CONTINUAM SENDO PERIGOSOS
Sem fiscalização nem regulamentação da lei que proíbe
uso de cerol e linha chilena nos papagaios, ou pipas, brincadeira vira uma
ameaça
Sancionada em março deste
ano, a Lei 1.968 proíbe a venda de cerol e linha chilena, utilizadas para a
brincadeira de empinar pipa, popularmente chamado em Manaus de “papagaio”. Entretanto, a
prática oferece sérios riscos de acidentes, tanto pelo fato de não existir um
órgão fiscalizador que coíba a comercialização dos materiais cortantes, quanto
pela falta de regulamentação da medida pela Prefeitura.
O assunto foi discutido na
última semana em audiência pública na Câmara Municipal de Manaus (CMM). De
autoria do vereador Francisco Jornada (PDT), a lei prevê a proibição da venda,
armazenamento, transporte e distribuição de cerol (mistura de cola e vidro moído)
da linha chilena de óxido de alumínio e silício ou de qualquer material
cortante utilizado para empinar/soltar pipas.
De acordo com o vereador,
o objetivo da lei não é impedir a brincadeira de papagaio, mas sim organizar a
prática na capital. “Essa audiência pública é para opinarmos muita coisa. Há
muitas pessoas que vivem disso e passa de pai para filho. Queremos que essas
pessoas entrem na formalidade”, disse.
Segundo Jornada, o projeto
tramita há dois anos na Câmara, e só agora ocorre uma manifestação por parte da
Casa por conta da medida ter sido sancionada pelo prefeito Artur Neto. Para
ele, o debate merece atenção, principalmente por conta da falta de segurança, a
qual envolve tanto os adeptos quanto outras pessoas. “É bom e quem ganha com isso
é a sociedade. Nós vamos regulamentar as áreas onde as pessoas poderão brincar
com segurança”.
Questionado se a medida
não irá afetar a identidade cultural da brincadeira, Jornada diz que o costume
será “quebrado”. “Se todo mundo disser que está acostumado com isso ou aquilo,
nós nunca vamos organizar Manaus”, declarou o vereador.
Perigo
Há dois anos, o autônomo
Arlindo Almeida, 41, foi vítima das linhas cortantes encontradas em espaços
abertos da capital. Conforme ele conta, o acidente ocorreu na avenida Brasil,
bairro Compensa, Zona Oeste, e deixou uma cicatriz no calcanhar direito. Os
movimentos do pé só foram retomados após fisioterapia.
“Estava com meu filho
sentado quando a linha engatou no ônibus. Tentei afastar a linha para não pegar
no meu filho, foi quando ela cortou no limite do osso. Sabe quando uma serra
corta um pedaço de carne? Foi assim”, disse ele.
O autônomo afirma que
nunca soltou papagaio e correu o risco de ter uma artéria atingida. Sobre a
implementação de espaços destinados à brincadeira, Arlindo afirma que é a
favor. “O que eu acho é que deveria ter isso mermo, um local específico para
essas pessoas. Esse acidente aconteceu comigo, mas poderia acontecer com uma
criança”, alertou.
Oito áreas poderão ser
‘pipódromos’
Oito áreas de Manaus
poderão servir como espaço para o público soltar pipas. Segundo Jornada, a
discussão em torno dos pipódromos foi iniciada pelo vereador Gilmar Nascimento,
em 2013, mas a ideia de criar um espaço em cada zona da cidade não saiu do
papel ao longo destes dois anos.
Na capital, várias áreas
são conhecidas como pontos de pipa e podem ser oficialmente “batizadas” de
pipódromos, entre elas estão o Prosamim do bairro Cachoeirinha, a área próximo
ao Sambódromo, na avenida do Samba, e o campo do Braga Mendes, na Zona Leste.
Conforme a Lei 1.968, o uso de cerol e linha chilena será permitido nos espaços
que forem estabelecidos pelo Poder Público Municipal.
Falta de fiscalização
Apesar da lei ter sido
sancionada com aplicação de multas de uma a 20
Unidades Fiscais do Município de Manaus (UFMs), ainda não existe um
órgão responsável pela fiscalização em Manaus. A secretaria deverá ser
conhecida após a regulamentação da Lei pela Prefeitura, assim como os custos
envolvendo a adequação dos “pipódromos”.
Fonte/Foto:
Oswaldo Neto – A Critica/Márcio Silva


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