HOTEL DE LUXO USA ENERGIA SOLAR E MADEIRA DE REFLORESTAMENTO NA SELVA
No interior do AM, empreendimento também possui fossas
biodegradáveis.
Próximo ao Arquipélago de Anavilhanas, espaço tem mão
de obra ribeirinha.
Uma construção em madeira
localizada próxima ao Arquipélago de Anavilhanas no município de Novo Airão, a
115 km de Manaus, busca aliar o desenvolvimento sustentável sem deixar de lado
o conforto para atender hóspedes mais exigentes. Em uma área de quase dois
hectares, um hotel todo feito com madeira de reflorestamento chama atenção pelo
design arquitetônico e conceito 'verde' adotado. Além da utilização de madeira
certificada, a instalação de placas de energia solar e fossas biodegradáveis
procuram reduzir os impactos ambientais do empreendimento inaugurado há poucos
meses na orla do Rio Negro.
A gerente de hospedagem
Juliane Luzia Bizzoto conta que o empreendimento tenta conciliar a redução de
impactos ambientais com a oferta de atrativos para os hóspedes.
"É o conceito de
sustentabilidade, mas é uma sustentabilidade ligada ao luxo. Então é um hotel
de luxo mas totalmente sustentável", explica Juliane.
Segundo o diretor de
expedições, Kleber Bechara, a construção do lodge iniciou em 2011. Os
profissionais de Novo Airão e de comunidades próximas, por desenvolverem
atividades no setor de carpintaria, auxiliaram nas obras. "Novo Airão tem
um know-how em carpintaria - seja naval, seja movelaria - e o trabalho de
carpinteiro e artesãos é uma coisa única", disse.
Os ribeirinhos que
ajudaram a erguer o hotel também compartilharam experiências adquiridas na
construção de casas regionais com profissionais de outras partes do país.
"O projeto, até por
uma questão de responsabilidade técnica, foi dado a um engenheiro especialista
na questão de madeira, mas muitos dos encaixes, dos engates [junções das peças
de madeira], de como foi dada a viabilidade estrutural, foram com tecnologias
daqui que nós acabamos ensinando o engenheiro. Ele se surpreendeu. Muitas das
sugestões dadas para ele extrapolavam as especificações técnicas do projeto.
Outra coisa que nos deixou feliz foi o fato de usar o conhecimento local para
produzir esse resultado. É uma arquitetura regional mesmo, não no design, mas
no aspecto da estrutura, do edificar com segurança, nos materiais utilizados. O
que a gente fez foi dar um design contemporâneo, diferenciado, ai veio uma
arquiteta de São Paulo", disse Bechara.
Ele diz que a madeira
usada na obra foi manejada no Amazonas. As espécies usadas foram: Angelim
Ferro, Acariquara, Louro Preto e Louro Aritu. Além das linhas curvas e uso de
madeira em toda a estrutura, o projeto do hotel incluiu ainda a instalação de
placas para captação de energia renovável e de fossas que diminuem os impactos
ambientais.
Placas de energia solar e
fossas biodegradáveis são usadas para diminuir impactos ambientais (Foto:
Divulgação/Mirante do Gavião)
Placas de energia solar e
fossas biodegradáveis foram adotadas para diminuir impactos ambientais (Foto:
Divulgação/Mirante do Gavião)
Os resíduos sanitários
passam por um tratamento em uma espécie de estação hidráulica subterrânea que filtra
os poluentes. "Todo projeto hidráulico foi feito com essa preocupação em
você ter fossas biodegradáveis. Após o processo, a água torna-se adequada para
ser despejada no rio", disse Bechara.
Placas de energia solar
captam a luz do sol para geração de energia reserva e aquecimento da água de
banheiros. "Temos 8 placas solares que gera 140 kilowatts cada, com
capacidade para iluminar o lodge num período de 5 horas. (...) Toda água quente
vem dos painéis. Eles são para água e para alimentar um banco de alimentação em
caso de faltar energia. Teve essa preocupação de integrar à natureza no
projeto. Está tudo integrando arquitetura com a vegetação do terreno",
acrescenta.
O diretor conta ainda que
parte do lixo não-orgânico - como latas e garrafas - gerado do lodge é doado
para a Cooperativa de Catadores de Novo Airão.
Estrutura
O Mirante do Gavião Amazon
Lodge possui sete suítes e capacidade para até 23 hóspedes. O empreendimento
recebe turistas de várias partes do mundo. Entre atrativos oferecidos aos
turistas estão: city tour em Novo Airãox, onde se pode conhecer o artesanato local;
palestras sobre o ecossistema amazônico do Rio Negro; focagem de Jacaré;
contemplação do nascer do Sol no Parque Nacional de Anavilhanas; visitas a
comunidades ribeirinhas; passeios fluviais pelo Rio Negro; canoagem em igarapé;
entre outros. Os pacotes para hóspedes têm diárias a partir de R$ 780.
Ideia
Bechara decidiu investir
no setor turístico após uma viagem ao Amazonas em 2001. "Vi uma
oportunidade de ser pioneiro, aliando o meu amor à natureza. Sempre cresci em
contato com a natureza. Aliei as duas coisas. Associado a uma insatisfação no
mercado corporativo que estava passando por São Paulo. Era uma situação
peculiar, a bolha da internet estava estourando naquela época. Já era
empreendedor, tinha uma empresa de comunicação digital e, por conta dessa
bolha, perdi meus empregados. Estava bem frustrado, infeliz. Eu vi nessa viagem
um caminho", disse.
Além de atrativos como
passeios fluviais, visitas a comunidades ribeirinhas e contato direto com a
natureza amazônica, o turista que se hospeda no hotel pode consumir pratos da
gastronomia internacional com ingredientes regionais.
O cardápio do restaurante
do hotel conta com pratos variados. As entradas são opções de saladas de
legumes e verduras - cruas, cozidas ou assadas. Entre os pratos principais se
destacam os feitos com peixes amazônicos, como surubim, aruanã, tucunaré. As
sobremesas têm opções como salada de frutas assadas ao forno com sorvete, petit
gateau com geleia de cupuaçu, entre outros. Entre os drinks servidos, três
ganham destaque: Rio Negro Fizz, Perol Split e Ponche Mirante do Gavião.
"É um cardápio saudável e regional, mas com toque e requinte da
gastronomia internacional", disse Juliane.
Mesmo com a utilização de
ingredientes regionais produzidos em Novo Airão, as receitas são inspiradas na
alta gastronomia. As cozinheiras tiveram treinamento com uma chef renomada e
seguem um cardápio próprio. "Essa questão gastronômica é muito importante.
A gente compôs um cardápio elaborado pela chef Debora Shornik. Juntou-se a
receita contemporânea e mediterrânea com a culinária regional", disse
Bechara.
Emprego e renda
Desde o início de sua
construção, em 2011, o mirante emprega ribeirinhos e ex-funcionários da
construção civil do município. "A mão de obra é totalmente local, só eu
que sou de Santa Catarina", disse Juliane.
Segundo a gerente de
hospedagem, são empregados atualmente 26 funcionários no hotel. "A gente
efetuou treinamento. Primeiro fizemos a seleção com pessoas daqui mesmo, alguns
que já trabalhavam no ramo turístico, outros que ficaram da obra, que a gente
sentiu que tinha interesse, tinha perfil. Fizemos treinamento para exercer as
funções", disse.
De acordo com a gerente, o
turismo tem um papel fundamental na economia do município de Novo Airão.
"Todos os produtos que usamos aqui são comprados no município, a ideia é
fomentar a economia local. Diretamente nós geramos renda para 25 famílias de
Novo Airão", concluiu.
Fonte/Fotos:
Leandro Tapajós – G1 AM



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