ARQUITETO DESENVOLVE PROJETO SUSTENTÁVEL PARA TRANSFORMAR ORLA DA CAPITAL AMAZONENSE
Projeto apresentado pelo arquiteto João Bosco Chamma
defende a ‘requalificação’ do espaço urbano como a nova ‘cara’
Projeto de Bosco sugere uma integração do novo porto a
toda região central
Aliar a prática de
atividades socio-econômicas com o desenvolvimento sustentável, transformando a
orla de Manaus, no trecho que compreende a bacia do São Raimundo, Zona Oeste,
até a foz do igarapé do Educandos, Zona Sul, em um espaço mais atrativo para
moradores e turistas. Essa concepção seria a fiel proposta para a melhoria e o
ordenamento do espaço, aliado à qualidade de vida da população.
Porém, pouco se oportunizou,
nos últimos anos, estudos que contribuíssem para a “requalificação” desta área
da cidade, como no projeto elaborado pelo arquiteto e urbanista, João Bosco
Chamma, pioneiro em estudos para a orla de Manaus.
Na proposta, que foi
apresentada na 8ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, estão
integrados à nova orla dois terminais portuários (São Raimundo e Educandos)
para embarque e desembarque de passageiros e de carga, cada um com dois acessos
de entrada e saída, duas estações, além de espaços com áreas verdes e uma gama
de serviços nos moldes do Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC), mas constituídos
de restaurantes, lanches, consultórios médicos, guichês de passagens e
drogarias.
“Este é uma projeto de
infraestrutura física e principalmente com espaços verdes, pois pensamos que o
novo porto não pode ficar na frente da cidade, se isso vier a acontecer vamos
perder o nosso cenário natural para uma muralha de ferro como querem fazer numa
outra proposta”, disse Bosco.
O projeto também contempla
alternativas de integração com a cidade. Neste viés, João Bosco elenca a
implementação do novo modal (sistema de transporte público) e otimização de
espaços vazios, como galpões e prédios, para dar lugar ambientes de estudos e
outras adequações.
A ousadia urbanística e
arquitetônica prevê, ainda, a integração com a construção de blocos de
apartamentos distribuídos em 50 mil habitações através do “Prosamim 3” - São
Raimundo, Aparecida e Presidente Vargas -, o que na observação de Bosco Chamma
recolocaria aproximadamente 200 mil moradores residindo na orla da capital,
parte deles atuando nas atividades portuária e entorno.
Quanto aos investimentos
que seriam necessários para a implementação de um projeto desta envergadura,
Bosco destoa que a questão é um pouco “afanosa”, por dispor de grande
quantidade de recursos em virtude do crescimento populacional de Manaus, maior
do que a da receita, proporcionalmente.
“Em 1989, tínhamos 1,050
milhão de habitantes e um funcionalismo público de 9 mil. Hoje, temos 2 milhões
de habitantes e 43 mil servidores. A cidade tem que se descentralizar, mas como
vamos fazer isso se 100% de imposto que a pessoa paga 75% fica na federação
(União), 20% no Estado e 5% vem para o municípios, onde são criados os
problemas? Nas cidades, então, a carga para a prefeitura é muito grande”,
explicou.
Dignidade
O arquiteto Bosco Chamma
defende a construção do porto como forma de organizar aquela região e dar mais
“dignidade ao município”. Segundo ele, 49% da população amazonense reside nos
61 municípios e 51% está em Manaus, fazendo com que o fluxo de passageiros e de
transporte de cargas sejam bastante intensos e “misturados” no porto da Manaus
Moderna, gerando um caos na região.
Projeto do DNIT recebe
críticas
O jornal A CRÍTICA teve
acesso a documentos que mostram que o consórcio SPVS Rio Negro foi o vencedor
da licitação para desenvolver as obras, mas o Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes do Amazonas (Dnit), responsável pelo projeto,
resolveu desqualificar a empresa por uma irregularidade.
Entretanto, ao invés de
anular a causa, o Dnit deu vencimento à empresa Laghi Engenharias, que havia
entrado com a ação. De acordo com Bosco Chamma, a Laghi venceu a concorrente
porque previa o pagamento de R$ 100 a mais para a função de servente.
Após a empresa Laghi
apresentar o projeto de revitalização do porto, que teve um custo de R$ 5
milhões para a criação, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb)
apresentou ao Dnit a falta de integração do projeto da Laghi com a cidade, por
considerar o projeto da reforma do porto “elemento desagregador”, além da falta
de qualificação nas construções.
Serviço portuário
Cada um dos portos
comportaria 200 embarcações. As menores ficariam no interior da circunferência.
No projeto, o local dispõe de vias para embarque e desembarque.
Em números:
R$ 150 milhões é o valor
estimado pelo arquiteto João Bosco Chamma para a requalificação da orla de
Manaus, que compreende o corredor fluvial que vai do São Raimundo, Zona Oeste,
até a bacia de Educandos, na Zona Sul.
Fonte/Foto:
Náferson Cruz – ACRITICA.COM/Arte: Divulgação - Lucas Silva


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