UMA TORRE EIFFEL NA FLORESTA
- publicado originalmente
por Lúcio Flávio Pinto*
A Folha de S. Paulo mandou
um enviado especial para ver com seus próprios olhos a mais alta estrutura
metálica já construída na América do Sul, um metro mais alto do que a famosa
Torre Eiffel, em Paris. É uma torre de observação com 325 metros de altura, a
partir da qual os pesquisadores poderão coletar dados num horizonte –
completamente desimpedido – de mil quilômetros, dos três mil quilômetros de
extensão da Amazônia de leste a oeste.
A torre, que fica 150
quilômetros ao norte de Manaus, a capital do Amazonas, foi concebida para
produzir dados cientificamente comprovados sobre a relação entre a biosfera, a
atmosfera e a floresta amazônica. Projetada para se manter por 30 anos, à torre
serão acrescidos laboratórios sofisticados.
Eles serão alimentados por
dados completos com os quais poderão esclarecer de vez teses, hipóteses e
dúvidas, como as que estão em circulação atualmente, sobre os “rios voadores”,
a retenção pela floresta da água em suspensão que vem dos oceanos e o
transporte dessa água na direção sul do Brasil.
A torre faz parte do
programa LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera e Atmosfera na
Amazônia), que há 15 anos vem sendo conduzido por cientistas brasileiros e
estrangeiros. O programa já conta com outras torres, a maior delas de 80
metros. A nova estrutura permitirá acesso a informações até então
indisponíveis.
O repórter Rafael Garcia
testemunhou a conclusão da torre, que, completa, terá custado 20 milhões de
reais (metade dos recursos oriundo do governo federal e a outra metade da
Alemanha). Mas ela não está conectada a nenhum equipamento. Os responsáveis
pelo projeto esperam montar os laboratórios até o fim do ano.
O descompasso entre a
disponibilidade de uma estrutura tão incomum no meio da floresta fechada e seus
equipamentos para sua operação não é de bom agouro na prática nacional.
Espera-se que a estrutura científica ganhe vida e gere luz sobre essa complexa
teia de elos entre a biosfera terrestre e a Amazônia, contribuindo para que não
desapareça o elo vital dessa relação: a floresta nativa.
*Lúcio Flávio
Pinto é jornalista profissional desde 1966. Percorreu as redações de algumas
das principais publicações da imprensa brasileira. Durante 18 anos foi repórter
em O Estado de S. Paulo. Em 1988 deixou a grande imprensa. Dedicou-se ao Jornal
Pessoal, newsletter quinzenal que escreve sozinho desde 1987, baseada em Belém.


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