SENADO APROVA VOTO DISTRITAL; NO PARÁ, PROJETO MUDA ELEIÇÃO EM BELÉM, ANANINDEUA E SANTARÉM
O Senado aprovou nesta quarta (22) um projeto que
institui voto distrital para a eleição de vereadores nos municípios com mais de
200 mil eleitores [como é o caso, no Pará, de Belém, Ananindeua e Santarém].
Pela proposta, cada município será dividido em distritos; e cada um deles
elegerá um representante para a Câmara Municipal.
O projeto diz que o número
de distritos de cada município será igual ao número de vagas na Câmara [em
Santarém, seria 21 distritos]. Cada partido pode inscrever só um candidato por
distrito.
De autoria do senador José
Serra (PSDB-SP), o projeto foi aprovado em caráter terminativo na Comissão de
Constituição e Justiça. Se não houver recurso para ir ao plenário da Casa,
segue para análise da Câmara dos Deputados,
A ideia dos senadores é
que o texto seja aprovado pelos deputados até outubro, a tempo de valer para as
eleições municipais de 2016. No debate sobre reforma política na Câmara,
discute-se outras ideias de sistema eleitoral.
No modelo atual, a eleição
de vereadores segue o sistema proporcional. Além dos votos nos candidatos, os
votos no partido e os votos nos concorrentes da coligação são levados em conta
no cálculo da distribuição das vagas.
No modelo distrital, o
voto é majoritário: ganha quem for mais votado no distrito.
Uma das principais
críticas contra o modelo distrital é em relação à definição dos limites dos
distritos, já que isso pode ajudar ou atrapalhar candidatos e partidos. Se o
reduto de um determinado político for cortado ao meio, por exemplo, ele terá
mais dificuldades para se eleger.
Pela proposta de Serra,
cabe ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) dividir e fixar os distritos. O
tribunal deve seguir critérios como contiguidade territorial e igualdade do
voto entre todos os eleitores.
O projeto também determina
que a diferença entre o número de eleitores do distrito mais populoso e o menos
populoso não pode exceder 5% no mesmo município.
Relator do projeto, o
senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) diz que o novo sistema atingirá os cerca de
90 municípios mais populosos –ou cerca de 30% do eleitorado.
“Por serem capitais e
grandes centros, constituem excelente referência para a experimentação e
educação política do povo”, disse.
Líder do PT, o senador
Humberto Costa (PE) apresentou voto em separado contrário ao sistema distrital.
Ele afirma que o Congresso vai violar a Constituição ao aprovar um modelo que
não é proporcional, previsto na Carta.
Para Serra, o voto
distrital reduz o número de candidatos, diminui os custos das campanhas e
aumenta a proximidade entre candidatos e eleitores. “As eleições para vereador
constituem, por sua importância, uma excelente oportunidade para começar a
aplicar esse sistema”, diz.
“Trata-se de uma
experiência […] para servir como base à futura discussão a respeito das
eleições para deputados estaduais e federais”.
Na versão original, o
projeto acaba com a propaganda eleitoral de vereadores em rádio e TV, já seria
difícil a implantação em cada distrito.
A Comissão de Constituição
e Justiça, porém, retirou essa proibição, abrindo caminho para que os
congressistas definam futuramente como poderá ser realizada a propaganda
eletrônica de candidatos a vereador por distrito.
Fonte/Foto:
Folha de São Paulo/Ilustrativa


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