PESQUISADORES DO AMAZONAS CRIAM INSETICIDA QUE REDUZ EM 90% A PROLIFERAÇÃO DO AEDES AEGYPTI
Substância é aderida pelo mosquito fêmea, que
transporta produto para outros criadouros e mata larvas. Diretor da Fiocruz
afirma que inseticida é inofensivo para seres vivos e foi aprovado pela
Organização Mundial de Saúde (OMS)
É por meio do próprio
mosquito transmissor da dengue que uma pesquisa desenvolvida na região pretende
diminuir a incidência do inseto no Amazonas.
A medida em questão é um
inseticida criado pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia),
juntamente com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), capaz de
se “impregnar” na fêmea do Aedes aegypti e que, ao seguir para outro criadouro,
mata as larvas por meio do produto e diminui o risco de proliferação em 90%.
Segundo o diretor da instituição, o projeto tem alcançado resultados positivos
e vem animando os pesquisadores.
Segundo o diretor do
Instituto, Sergio Luiz Luz, a pesquisa começou em 2004, quando foi iniciado um
mapeamento dos mosquitos vetores da dengue em quatro áreas da cidade. O
objetivo era construir uma base de dados para dar seguimento a uma segunda
etapa de intervenção. “Depois de um tempo ficamos apenas com a área de Tancredo
Neves, que é um local que favorece o surgimento e criação de mosquitos. É uma
área que tem falta de abastecimento de água e casas com uma paisagem geográfica
que favorecem isso”, explicou.
Posteriormente, após tomar
conhecimento de um artigo que utilizou a unidade dispersora de inseticida no
Peru, o grupo de pesquisadores amazonenses decidiu aplicar o modelo em Manaus.
“Antes da aplicação do inseticida somente 10% deles morriam, depois do
inseticida 90% passaram a ser eliminados. Isso mostrou primeiro que o
inseticida estava atuando e, segundo, que o mosquito era um bom dispersor”,
explicou o parasitologista.
Aplicação
O mecanismo criado pela
Fiocruz para atrair as fêmeas da espécie é totalmente manual e, segundo o
diretor do órgão, é aprovado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Conforme
explica Luz, o inseticida Pyriproxyfen é aplicado em um pano dentro da unidade
dispersora. Ao encostar as patas na parede do compartimento, o mosquito desova
o produto em outros criadouros e semeia o inseticida, eliminando assim as larvas. O especialista ressalta,
ainda, que a substância não mata os mosquitos adultos.
Sobre a utilização do
inseticida em forma borrifadora, a qual é a mais utilizada por agentes de
saúde, o especialista explica que o resultado pode ser diferente. “Para a
borrifação é necessário ter outros elementos, como a diluição”, contou.
Experimentos
Atualmente, a pesquisa
está concentrada no Município de Manacapuru, a 84 quilômetros de Manaus. No
local, foram distribuídas mil unidades dispersoras. “Até julho a gente terá os
primeiros resultados de Manacapuru prontos pra analisar. São resultados
promissores, até maiores que a gente encontrou no Tancredo Neves. Só depois
vamos traçar um panorama do que iremos fazer”, contou.
Além da dengue, a
descoberta pode ajudar a combater outras doenças transmitidas por mosquitos.
Entre elas estão a febre amarela, encefalite equina, encefalite japonesa e até
mesmo a chikungunya, também transmitida pelo Aedes.
Inofensivo para pessoas e
animais
Aprovado pela Organização
Mundial de Saúde (OMS), o inseticida entrou no Brasil como um produto
prioritário no combate à dengue. Isso porque, além do seu poder de eliminação
dos focos, outra principal vantagem destacada pelo diretor da instituição é o
fato do produto ser inofensivo a humanos e animais.
“Ele pode ser utilizado em
caixas d’água, ou seja, não compromete a qualidade. Isso é um grande ganho
porque um dos grandes problemas são justamente os recipientes de água que as
pessoas acabam armazenando para o uso doméstico”, pontuou.
Sobre o custo do
inseticida, Luz afirma que ainda é cedo para falar sobre valores ou produções
em grande escala no Sistema Único de Saúde (SUS) “A Fiocruz faz pesquisa para o
SUS, a gente sabe de antemão, de uma maneira geral, que para ser eficiente,
deve haver uma viabilidade de custo-benefício”.
Entretanto, o pesquisador
adianta que a equipe de profissionais vem se empenhando em transformar o
inseticida em um mecanismo mais prático, a fim de que ele seja utilizado pelos
agentes da rede pública. Por fim, ele destaca o papel da sociedade nesse
contexto.
“A população não deve
esquecer de procurar os criadouros e colocar as armadilhas nos locais certos. É
um apoio muito importante”.
Fonte/Foto:
Oswaldo Neto – acrítica.uol.com.br/Márcio Silva


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