MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL FECHA CERCO À CORRUPÇÃO NO PARÁ
Procurador da República no Pará, Alan Mansur (foto)
está empenhado na divulgação da campanha do MPF no estado
Levante a mão quem não
quer um país livre de corrupção? Em público, será dificílimo ver braços
estendidos. No discurso, todos são contra suborno, favorecimento, acerto com
empreiteira e corruptelas. Na prática, o que se vê é um círculo vicioso de
corrupção pública e privada. Levantamento do Observatório Social de Belém,
entidade apartidária que se propõe a acompanhar o Poder Público, aponta mil
ações ajuizadas pelos ministérios públicos Federal e Estadual no Pará, contra
corrupções de toda ordem. No entanto, em que pese o esforço dos órgãos,
permanece a forte sensação de impunidade. Por isso, o próprio MPF acaba de
lançar uma campanha nacional de combate
à corrupção. Na prática, são dez proposições para o aperfeiçoamento da
lei para mais firmeza na punição dos crimes.
‘’As brechas da lei
precisam ser fechadas com uma legislação que dificulte os crimes,
principalmente os de colarinho branco, os crimes econômicos, de corrupção.
Hoje, vemos muitas pessoas acusadas de graves crimes serem beneficiadas pela
prescrição, pela demora imensa em ter seus processos julgados pela grande
quantidade de processos que a Justiça tem, pela grande quantidade de recursos
que só existem no Brasil e por penas que, quando finalmente aplicadas, permitem
cumprimento em liberdade, com regimes abertos ou semiabertos para criminosos
que cometeram crimes de desvio de milhões de reais’’, observa o procurador da
República no Pará, Alan Mansur, empenhado na divulgação da campanha do MPF no
Estado.
Em síntese, ele frisa que
tanto corruptos como corruptores devem temer as leis. Assim, as propostas do
MPF contemplam três grupos temáticos: Transparência e Prevenção; Efetividade; e
Celeridade e Eficiência. O subprocurador Geral da República, Nicolau Dino
afirma que, entre outros resultados, as medidas querem a rápida tramitação das
ações de improbidade administrativa e das ações criminais; além de criminalizar
o enriquecimento ilícito e revisar o sistema recursal e as hipóteses de
cabimento de habeas corpus.
As proposições compuseram
a portaria assinada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no final
de janeiro passado. O documento permitiu a criação de comissões de trabalho
compostas por integrantes da instituição, com o objetivo de encaminhar
sugestões de mudança legislativa para implementar medidas de combate à
corrupção. O trabalho teve início com os estudos desenvolvidos pela
força-tarefa do MPF na Operação Lava Jato na primeira instância.
Alan Mansur observa que há
muitas ações integradas dos órgãos de controle, como MPF, Polícia Federal,
Controladoria Geral da União, Ibama, Receita Federal, mas muitas vezes elas
esbarram em problemas legislativos. “As lacunas da lei acabam facilitando algum
fraudador esconder patrimônio oriundo de enriquecimento ilícito, um servidor
público que enriqueceu com o crime transferindo os seus bens para familiares ou
“laranjas” ou se permitir que pessoas que tenham a ficha-suja possam atuar na
administração pública em cargos de confiança nos poderes do país’’, considera
Mansur.
IMPUNIDADE
O procurador da República
no Pará pondera ainda que a falta de punições mais firmes, beneficia
corruptores, que lucram muito com um sistema falho e baseado em
permissividades. “Sabemos que crimes econômicos trazem prejuízos a milhões de
pessoas, que resultam muitas vezes em serviços públicos ruins, suspensão ou
diminuição de programas sociais, falta de remédios e educação de qualidade,
desaparelhamento das forças de segurança. Quem rouba milhões, mata milhares de
pessoas e ainda causa dano moral à sociedade, que vê, rotineiramente, o
dinheiro de seus impostos ir para bolsos privados, contas no exterior, iates,
carros de luxo. A corrupção mata como decorrência da limitação aos direitos
essenciais, como segurança, saúde, educação e saneamento básico. Por isso, o
MPF e a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) defendem que a
referência punitiva do tamanho da pena de corrupção de altos valores deve ser a
pena do homicídio’’, defende o representante do MPF.
Alan Mansur considera que
atualmente o principal pleito da sociedade é o combate à corrupção, em todas as
áreas. “Houve pacote de projetos de leis, propostas do Poder Executivo para
realizar mudanças. Rodrigo Janot e a equipe de Procuradores da República que
atuam na Operação Lava Jato também apresentaram propostas, com base em
dificuldades para punir responsáveis por desvio de cofres públicos na área
federal. Agora, entendo que cabe à sociedade pressionar por alterações mais
substanciais. Já aos senadores e deputados federais, de forma democrática na
arena dos debates mais importantes para o país, que é o Parlamento, cabe ouvir
os anseios sociais e realizar as mudanças legislativas de impacto nos crimes
econômicos e de corrupção’’, pondera.
Fonte/Foto:
O Liberal


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