DESCOBERTA DE 400 GEOGLIFOS NA AMAZÔNIA AJUDA A DESVENDAR MISTÉRIO
19.abr.2015
- O avanço nas pesquisas arqueológicos levou à descoberta da existência de
cerca de 400 desenhos gigantes espalhados pela Amazônia, conhecidos como
geoglifos
O
avanço nas pesquisas arqueológicas revelou a existência de cerca de 400 desenhos
gigantes espalhados pela Amazônia, os geoglifos -- valetas de cerca de dez
metros de largura e entre dois e três metros de profundidade feitas em formato
geométrico preciso, normalmente círculos ou quadrados.
A
descoberta ensina mais sobre a forma como foram feitos e os hábitos dos povos
que os construíram há mais de 1.000 anos. Pelo que se sabe, os geoglifos foram
feitos por índios Aruaques que moram na Amazônia séculos atrás para servir de
campo para rituais religiosos.
Os
primeiros desenhos datariam da era Antes de Cristo. A maioria, porém, foi feita
entre os séculos 1º e 10º.
"Quando
a gente faz as medidas percebe que eles são muitos constantes. Eles não tinha
instrumentos de metal, faziam provavelmente com pás de madeira, mas tinham
precisão matemática", afirma Denise Schaan, da UFPA (Universidade Federal
do Pará), e coordenadora das pesquisas dos geoglifos.
Com
tamanhos entre 100 a 300 metros de largura, os desenhos foram descobertos em
1977 pelo pesquisador Ondemar Dias, do Instituto de Arqueologia Brasileira do
Rio de Janeiro. Hoje sabe-se que eles se estendem por uma área 200 km entre sul
do Amazonas, leste do Acre, oeste de Rondônia e parte da Bolívia.
Hábitos
em análise
Com o
avanço dos levantamentos, um grupo de pesquisadores brasileiros e finlandeses
se concentra em analisar estudar quais os hábitos dos povos, e algumas
descobertas já foram feitas.
"A
gente tem feito pesquisas para fazer datações dessas construção, para ver o que
eles comiam, o que plantavam, e para ver os tipos de atividades que tinham. A
gente busca isso nas escavações, e já temos descoberto algumas coisas: em um
deles, por exemplo, havia um resto de construção na entrada. Encontramos restos
de panelas de cerâmica, algumas bem mais elaboradas. Se descobriu algumas
coisas de plantação, e eles comiam milho", explica Schaan.
A
maioria dos desenhos foi feita em lugares abertos, próximo a palmeiras.
"Os índios tinham crença nessa coisa de espíritos que habitam as
palmeiras, e essas vegetações são características desde a época dos
geoglifos", diz.
Avanço da pesquisa
Quando
Denise Schaan iniciou a pesquisa dos geoglifos, há dez anos, eram apenas 24
desenhos conhecidos. "Aquele ano marcou uma mudança importante, que foi o
uso de imagens [por satélite] do Google Earth. Tanto que, com esse método, em
poucas semanas o número subiu para 150. Hoje já temos 400", conta.
As
descobertas foram ocorrendo e sobrevoos e visitas às áreas onde estão os
geoglifos foram realizados, aumentando o conhecimento sobre os desenhos
gigantes.
Dos 400
já encontrados, pelo menos 70% estão bem conservados. "Podem existir muito
mais. A gente tem trabalhado nas áreas cobertas desmatadas, e tem ainda às área
cobertas, onde não é possível ver. Depois que os índios abandonaram, o mato
cresceu nas valetas. Têm geoglifos que só se veem do alto; quando se chega no
terreno, não dá nem para ver mais", diz.
A
pesquisadora explica que existem desenhos semelhantes em Portugal, Espanha e
Inglaterra, mas que não têm nenhuma ligação entre si.
Uma das
preocupação agora é garantir a preservação do patrimônio na Amazônia e atrair
turistas para conhecer o patrimônio histórico.
"Muitos
deles estão em fazenda de gados, e áreas de questão de plantações de cana, e
não há cuidados de preservação. Eles poderiam servir para o turismo, mas não há
estrutura. Não há também um sítio preparado para visitação", finaliza
Schaan.
Fonte/Foto: Carlos Madeiro, do UOL, em Maceió/Agência
Acre - Divulgação


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